Aula 5 — Questões Éticas, Sociais e Políticas Relacionadas aos Sistemas de Informação
Questões éticas, sociais e políticas relacionadas aos sistemas de informação Meta da aula Apresentar as questões éticas, sociais e políticas e as dimensões morais relacionadas aos sistemas de informação.
Introdução
Seção intitulada “Introdução”Nesta aula, serão abordados conteúdos referentes às questões éticas, sociais e políticas, e dimensões morais dos sistemas de informação.
A ética pode ser interpretada como um termo genérico que designa aquilo que é frequentemente descrito como a “ciência da moralidade”. Seu significado deriva do grego ethos e quer dizer “morada da alma”, ou seja, aquilo que é suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal.
Dessa forma, o objetivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os fi lósofos antigos adotaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a “ética de situação”. Na ética situacional, o que está Esse é um típico dilema ético.
certo depende das circunstâncias, e não de uma lei geral criada pelo homem.
Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os antigos diziam que: “o que é bom à leoa, não pode ser
bom à gazela e o que é bom à gazela, provavelmente, não será bom à leoa”.
O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”.
Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida.
Ora, essa é a questão central da Moral e da Ética! Enfim, a ética é o julgamento do caráter moral de uma determinada pessoa inserida em uma sociedade.
A sociedade é um grupo de indivíduos que forma um sistema semiaberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas.
O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.
Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesses ou preocupações mútuas sobre um objetivo comum. Como tal, a palavra sociedade é às vezes usada como sinônimo para o coletivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico. Esses cidadãos são responsáveis por fazerem funcionar o sistema político de uma nação.
O sistema político tem sua origem calcada na ciência política formada por teorias e práticas da política. A ciência política abrange diversos campos, como a teoria e a filosofia políticas, os sistemas políticos, ideologia, economia política, geopolítica, análise de políticas públicas, relações internacionais, análise de relações exteriores, política e direito internacionais, estudos de administração pública e governo, processo legislativo e outros.
O sistema político é composto por um conjunto de fatores que dão sustentação e veracidade ao uso da TI pelas empresas e pela sociedade. Esses fatores são sistemas de informação e estão associados a regras relacionadas às dimensões e às questões éticas, sociais e políticas, que veremos a seguir.
Questões Éticas, Sociais e Políticas
Seção intitulada “Questões Éticas, Sociais e Políticas”As questões éticas, sociais e políticas são responsáveis por definir e delimitar os direitos e deveres sobre: a informação, a propriedade, a qualidade dos sistemas de informação, a qualidade de vida, a prestação de contas e o controle. O uso das questões éticas e sociais por agentes livres (indivíduos) orienta seu comportamento. A ética refere-se aos princípios de certo e errado que podem ser usados pelos indivíduos que atuam como agente de livre moral para fazer as escolhas que guiam seu comportamento. Ética também pode ser conceituada como a parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano.

Questões políticas Direitos e deveres sobre a Direitos e deveres sobre a informação Questões sociais propriedade Questões éticas Tecnologia e sistemas de informação Indivíduo Qualidade do sistema Prestação de contas e controle Sociedade Políticos Qualidade de vida
Figura 5.1: Relações entre questões éticas, sociais e políticas da era da informação.
Fonte: LAUDON e LAUDON, 2004.
O comportamento humano é regido por questões éticas. São várias as tendências tecnológicas da era da informação que suscitam questões éticas, dentre elas podemos citar: o uso indevido da informação visando aumentar a velocidade de processamento dos computadores, propiciando assim uma maior dependência da humanidade aos sistemas computadorizados; o declínio do custo de armazenagem de dados em função das dificuldades ou das facilidades de manutenção dos bancos de dados que armazenam indiscriminadamente informações sobre indivíduos; a falta de controle sobre a grande quantidade de dados e de informações que são veiculados frequentemente; e o aumento desordenado do acesso remoto aos dados pessoais através das redes computadorizadas e da internet.
Na atual era da informação, a questão ética refere-se: à aceitação dos custos, deveres e obrigações potenciais pelas decisões (responsabilidade), ao levantamento da responsabilidade por decisões e ações (prestação de contas), à recuperação de danos por parte dos indivíduos (obrigação de indenizar), e ao reconhecimento e entendimento das leis por autoridades pertinentes (processo legal).
Para melhor entendimento do parágrafo anterior, vamos definir responsabilidade, prestação de contas, obrigação de indenizar e processo legal. Responsabilidade é um elemento-chave na ação ética e significa que você aceitou os custos e deveres potenciais das decisões que toma. Prestação de contas é uma característica dos sistemas e das instituições sociais que se refere aos mecanismos que estão disponíveis para determinar quem se responsabiliza pela ação. Obrigação de indenizar é uma característica dos sistemas políticos nos quais se incluem itens no corpo da lei que permitem aos indivíduos recuperarem ou se ressarcirem dos danos causados a eles por outros indivíduos, sistemas ou organizações. Já o processo legal diz respeito a uma característica relacionada à sociedade e regida por lei. É o processo pelo qual as leis são conhecidas e compreendidas, e que existe a capacidade de se apelar às autoridades superiores para assegurar que as leis sejam aplicadas corretamente.
O processo legal define os princípios éticos que podem ser: o princípio utilitário classifica os valores por ordem de prioridade e entende as consequências de vários cursos de ação; o princípio de aversão ao risco realiza a ação que causa o menor dano ou que tenha o menor custo potencial; e o princípio “nada é de graça” refere-se aos objetos tangíveis ou intangíveis como pertencentes ao seu criador, que deseja uma compensação por seu trabalho.
Os princípios éticos influenciam os códigos de conduta profissional e também alguns dilemas éticos do mundo real, tais como: promessas de autorregulamentação feitas por profissionais, visando o interesse geral da sociedade, promulgados por associações como, por exemplo, a regulamentação de planos de saúde, que gerenciam as associações dos planos de saúde do Brasil. Dilemas do tipo utilização de sistemas de informação pela empresa proporciona benefícios, são usados para minimizar falhas na produtividade e evitar desperdícios de recursos em atividades não relacionadas ao negócio. Até que ponto dilemas desse tipo influenciam no comportamento das pessoas e, consequentemente, no processo de mudança dos indivíduos, das empresas e da sociedade?
Atividade 1
Seção intitulada “Atividade 1”O programa Napster pode ser usado de maneira perfeitamente legal para permutar arquivos de músicas que não tenham direitos autorais assegurados, mas muitos usuários do Napster estão compartilhando arquivos musicais MP3 que foram copiados de CDs de áudio comercializados normalmente. Em janeiro de 2001, a F&G Industry Brazilian, representando as dez maiores empresas de gravação de música, entrou com processo judicial contra o Napster por violação de direitos autorais. Esse processo é um dos da série de ações legais que a indústria fonográfica tomou contra as empresas de música online que estão violando os direitos autorais. Em fevereiro de 2001, um tribunal federal de apelação manteve uma determinação anterior ordenando ao Napster que parasse de permitir que seus usuários compartilhassem e descarregassem arquivos musicais protegidos por direitos autorais. Em outubro de 2001, o Napster anunciou que se associaria à Bertelsmann, uma das cinco maiores empresas musicais, para criar um serviço de distribuição de música pela internet mediante pagamento de taxa. Em junho de 2002, anunciou um novo acordo de distribuição firmado com a MusicNet, outro serviço musical por assinatura, para vender música oferecida pelos principais selos de gravação mediante uma taxa. A partir disso, uma série de regras foram adotadas, mas será que a conduta e o comportamento dos usuários do sistema mudou?
A tecnologia de informação gerou novas possibilidades de comportamento para as quais leis e regras de conduta aceitáveis ainda não foram desenvolvidas. Existem princípios éticos disponíveis para o julgamento da conduta. Esses princípios independem de tradições culturais, religiosas e intelectuais, e devem ser usados juntos com uma análise ética para orientar o processo de decisão. Essa análise implica identificar os fatos, os valores, os interessados, as opções e as consequências das ações.
Identifique as questões éticas, sociais, políticas dos sistemas de informação e os princípios de conduta usados para orientar decisões éticas para o caso Napster.
Resposta Comentada
As questões éticas, sociais e políticas dos sistemas de informação do Napster geraram novas possibilidades de comportamento para as quais leis e regras de conduta aceitáveis ainda não foram desenvolvidas. As principais questões éticas, sociais e políticas relacionadas aos sistemas de informação estão centradas nos direitos e obrigações da informação, nos direitos de propriedade, na prestação de contas e no controle, na qualidade do sistema e na qualidade de vida.
As questões éticas confrontam indivíduos que devem escolher um curso de ação, frequentemente em uma situação na qual dois ou mais princípios éticos estão em conflito (um dilema). As questões sociais surgem das questões éticas, à medida que as sociedades desenvolvem nos indivíduos expectativas sobre o curso de ação correto. Já as questões políticas emergem do conflito social e têm a ver, em grande parte, com leis que prescrevem o comportamento e buscam criar situações em que os indivíduos se comportem corretamente. Pelo que foi observado no caso apresentado, os usuários do Napster parecem infringir as regras e condutas dos sistemas de informação.
Apesar das mudanças das regras de conduta do Napster, dificilmente o comportamento do usuário do Napster irá melhorar em termos éticos. Quando se questiona sobre os princípios de conduta, estamos tratando dos princípios éticos disponíveis para o julgamento da conduta como: o princípio utilitário, o princípio de aversão ao risco e a regra ética “nada é de graça”. Esses princípios devem ser usados juntos com uma análise ética para orientar o processo de decisão.
Essa análise implica identificar os fatos, os valores, os interessados, as opções e as consequências das ações. Uma vez terminada a identificação, pode-se considerar qual princípio ético deve ser aplicado à situação para se chegar a um julgamento.
Dimensões Morais dos Sistemas de Informação
Seção intitulada “Dimensões Morais dos Sistemas de Informação”Os sistemas de informação no âmbito de suas dimensões morais apresentam alguns direitos referentes à privacidade na era da informação. A privacidade refere-se ao direito de os indivíduos não serem incomodados, de ficarem livres de vigilância ou da interferência de outros indivíduos, de organizações ou do Estado. Mas sabemos que isso é difícil de controlar, a partir do momento em que você realiza seu Cadastro de Pessoa Física (CPF), você nunca mais terá privacidade.
Privacidade Até que ponto se pode afirmar que existem práticas de informação justas, já que essas práticas tratam de um conjunto de princípios que administram a coleta e o uso da informação sobre indivíduos, com base em leis nacionais e internacionais. Há quem acredite que na era da informação o uso de informações individuais se dará mediante consentimento, mediante o conhecimento de todos os fatos necessários para tomar uma decisão racional. Por exemplo, a criação de uma diretriz empresarial que versa sobre a proteção de dados pessoais.
Dessa forma alguém só poderá fazer uso de suas informações mediante seu consentimento.
Tal procedimento seria correto se não houvesse algumas facilidades diante do desafio de uso da internet que não ferisse a privacidade.
Os cookies, por exemplo, são pequenos arquivos depositados no disco rígido do seu computador que são usados para identificar o visitante e monitorar suas visitas ao site web, ou seja, ao se conectar a internet os dados armazenados em seu computador estão sendo monitorados. Temos também os bugs web, que são minúsculos arquivos gráficos incorporados a mensagens de e-mail e páginas web, projetados para monitorar online o comportamento do usuário da internet. Quando você está a procura de um produto online, ao se conectar a internet, o que mais aparece é o anúncio desse produto para você. Feliz da vida você pensa, “até parece que eles advinham! Era isso mesmo que eu estava procurando.” Mentira!
Você estava sendo monitorado e não sabia.
Diante de tal situação, qual é a saída? Existem opções de retirada, em que o interessado em suas informações solicita seu consentimento para que sejam coletadas as informações pessoais. Já o consumidor solicita especificamente que seus dados não sejam divulgados. Para isso, é necessário que haja uma opção de adesão ao consentimento informado que proíbe uma organização de coletar qualquer informação pessoal sem prévia autorização, e o indivíduo tem de aprovar a coleta e o uso de sua informação. A solução técnica para se manter a privacidade seria a adesão à Plataforma para Preferências de Privacidade (P3P), onde os usuários poderão ter maior controle sobre suas informações, restringindo algumas ações por parte dos espiões.
Tabela 5.1: Ferramentas de proteção à privacidade
| Função de proteção à privacidade | Descrição | Exemplo | |
|---|---|---|---|
| Gerenciamento de cookies | Bloqueia ou limita a implantação de cookies no computador do usuário. | CookieCrusher do Microsoft Explorer 5 e 6 | |
| Bloqueio de anúncios | |||
| Controla anúncios que surgem na tela com base no perfil dos usuários e evita que coletem ou enviem informação. | AdSubtract | ||
| Criptografia de e-mail ou dados | Disfarça e-mail ou dados de modo que não possam ser | Pretty Good, Privacy (PGP), SafeMessage.com | |
| lidos. | |||
| Garantidores de anonimato | Permitem que usuários naveguem pela web sem serem identificados ou que enviem e-mails anônimos. | Anonymizer.com |
Direitos de propriedade Dentro da ideia de proteção à privacidade, a propriedade intelectual é considerada direito de propriedade e pode ser dividida em duas categorias: direito autoral e propriedade industrial.
Segundo a convenção da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), propriedade intelectual é a soma dos direitos relativos às obras literárias, artísticas e científicas, às interpretações dos artistas (cantores e atores) e às execuções dos artistas (pintores e escultores), aos fonogramas (forma de comunicação em sons, ou seja, cartas e anúncios em falas, e não por escrito) e às emissões de radiodifusão (transmissão de ondas de radiofrequência que, por sua vez, são moduladas, essas se propagam eletromagneticamente através do espaço), às invenções em todos os domínios da atividade humana, às descobertas científicas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, comerciais e de serviço, bem como às firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial, científico, literário e artístico.
A invenção é o ato de criar uma nova tecnologia, processo ou objeto, ou um aperfeiçoamento de tecnologias, processos objetos pré-existentes. Já a descoberta é a aquisição de
e o
m conhecimento novo “por acaso” ou sem um esforço determinado. A invenção, pelo contrário, é fruto de um trabalho dirigido a se desenvolver respostas a
um problema.
O direito autoral é uma categoria da propriedade intelectual como, por exemplo, as obras literárias e artísticas, programas de computador e domínios na internet. O direito autoral é uma concessão regida por lei que protege a propriedade intelectual de ser copiada por determinado período.
A propriedade industrial é um conjunto de direitos que compreende as patentes de invenção, os desenhos ou modelos industriais, as marcas de fábrica ou de comércio, as marcas de serviço, o nome comercial e as denominações de origem, bem como a repressão à concorrência desleal.
Esse ramo do direito não se resume às criações industriais propriamente ditas, mas se aplica não só à indústria e ao comércio, mas também às indústrias agrícolas e extrativas e a todos os produtos manufaturados ou naturais, por exemplo: vinhos, cereais, frutas, animais, minérios, fl ores e farinhas.
As patentes são documentos legais que garantem ao proprietário o monopólio exclusivo sobre as ideias por trás de uma invenção, mantendo os segredos comerciais, pois são obras intelectuais ou produtos que pertencem à empresa.
As marcas são representações simbólicas de uma entidade, algo que permite identificá-la de um modo imediato como, por exemplo, um sinal de presença, uma simples pegada. Na teoria da comunicação, pode ser um símbolo ou um ícone. Uma simples palavra pode se referir a uma marca.
O desenho industrial, também chamado de designer de produto ou projeto de produto, trabalha com a produção de objetos e produtos tridimensionais para usufruto humano. Um designer de produto lida com o projeto e produção de bens de consumo ligados à vida quotidiana como, por exemplo, mobiliário doméstico e urbano, eletrodomésticos e automóveis. Lida também com a produção de bens de capital como, por exemplo, máquinas e motores.
As indicações geográficas e proteção de cultivos referem-se ao direito de propriedade sobre a terra e sobre o que dela for extraído ou nela for cultivado.
O Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) é o órgão brasileiro responsável pelo controle das marcas, patentes, desenho industrial, transferência de tecnologia, indicação geográfica e programas de computador. Os direitos de propriedade estão diretamente relacionados às dimensões morais e questões éticas, sociais e políticas da era da informação.
Tabela 5.2: dimensões morais e questões éticas, sociais e políticas da era da informação
| Dimensões \ Questões | Éticas | Sociais | Políticas |
|---|---|---|---|
| Desafios da internet à privacidade. | Sob que condições podemos invadir a privacidade dos outros? O que legitimiza a invasão na vida das pessoas por meio de vigilância disfarçada, de pesquisa de mercado ou de qualquer outra maneira? Temos de informar as pessoas de que as estamos espiando? Temos de informar às pessoas de que estamos usando informações de seu histórico de crédito com a finalidade de selecionar candidatos a emprego? | Estão ligadas ao desenvolvimento de “expectativas de privacidade” ou de normas de privacidade, assim como atitudes públicas (ações que contam com o apoio da população como, por exemplo, campanha contra a violência, campanha de coleta e destruição de armas, campanha contra a dengue). | Concernem o desenvolvimento de estatutos. Governam as relações entre os que armazenam os registros e os indivíduos. |
| Desafios aos direitos de propriedade intelectual. | Produção da propriedade intelectual. | Divisões de leis de propriedade intelectual atuais. | Criação de novas medidas de proteção da propriedade. |
| Responsabilidade, prestação de contas e obrigação de indenizar. | Quem é moralmente responsável pelas consequências do uso de dados ou informação? | O que a sociedade deveria esperar e permitir? | Em que medida o governo deveria intervir, proteger? |
| Qualidade do sistema: qualidade de dados e erros dos sistemas. | Em que local deve se lançar os softwares ou serviços para o consumo? Como por exemplo, uso de TV a cabo e internet banda larga. | As pessoas deveriam ser encorajadas a acreditar que os sistemas são infalíveis? | Leis de responsabilidade e prestação de contas. |
Qualidade de vida A relação entre direitos de propriedade e privacidade busca conquistar a igualdade interpessoal, o acesso à informação e o limite entre essas fronteiras. Essa relação só será possível mediante o equilíbrio do poder entre o centro e a periferia (principais decisões políticas são centralizadas a exemplo do que ocorria em épocas passadas). A velocidade com que a mudança ocorre poderá provocar a redução do tempo de resposta à concorrência. É importante que haja a manutenção das fronteiras entre família, trabalho e lazer para que se possa definir o ambiente “faça qualquer coisa em qualquer lugar” e não torne imprecisa a fronteira entre o trabalho e o tempo dedicado à família. Na era da informação, cada vez mais as pessoas se tornam mais dependentes e vulneráveis, ou seja, não existem forças reguladoras ou que estabeleçam padrões. Essa vulnerabilidade facilita os crimes por computador, atos ilegais cometidos com o uso de um computador ou contra um sistema de computadores, resultando assim nos abusos digitais, atos envolvendo computador que podem não ser ilegais mas são considerados antiéticos.
Ao mesmo tempo em que muitos perdem seus empregos em função da obsolescência devido a evolução tecnológica, outros são beneficiados pelas oportunidades digitais. Isso quer dizer que enquanto para alguns a exclusão tecnológica e a reengenharia causaram a perda do emprego para milhões de gerentes de nível médio e trabalhadores burocráticos, para outros, a TI propiciou a igualdade de oportunidades e acesso por meio da ampliação das oportunidades sociais e de classe, auxiliando as pessoas que estão capacitadas a trabalharem com computadores em oposição àquelas que não estão.
Alguns cuidados são necessários para não se colocar em risco a saúde. Termos como LER, STC e Tecnoestresse são comuns no campo de atuação dos profissionais de TI. A lesão por esforço repetitivo (LER), conhecida como doença ocupacional, ocorre em função de esforços musculares por ações repetitivas com cargas de alto impacto ou por milhares de repetições com cargas de baixo impacto. A síndrome do túnel carpal (STC), tipo de LER, ocorre por intermédio da pressão sobre o nervo mediano através da estrutura óssea do pulso chamada de túnel carpal, produzindo dor em função da sobrecarga e tensão do nervo. Outra doença comum é a síndrome da tela do computador, doença de estresse ocular, que está relacionada ao uso inadequado da tela do computador.
Entre os sintomas temos: dor de cabeça, visão turva e olhos secos e irritados.
Já o tecnoestresse, que é o estresse induzido pelo uso do computador, pode ser facilmente identificado por alguns sintomas como exasperação, hostilidade em relação às pessoas, impaciência e fadiga.
A qualidade de vida relaciona-se com as dimensões morais através do custo social negativo provocado pela introdução de tecnologias e sistemas de informação que está começando a aumentar junto com o poder da tecnologia.
Como, por exemplo, o funcionamento de uma fábrica de cimento ou de uma indústria química ao lado de uma comunidade ou dentro de uma cidade, pode trazer benefícios como emprego e industrialização, mas pode poluir o meio ambiente e desencadear uma série de doenças respiratórias. Embora não sejam violações nem crimes, tais consequências negativas podem ser prejudiciais aos indivíduos, às instituições e à sociedade. Segundo Laudon & Laudon (2004), computadores e TI podem, potencialmente, destruir elementos de valor da nossa cultura e sociedade, até mesmo quando nos trazem benefícios.
Atividade 2
Seção intitulada “Atividade 2”Os usuários da internet nunca estão a sós. Encontram-se sempre cercados por cookies depositados em seus discos rígidos por praticamente todos os sites web que visitam, e não é fácil para eles saberem o que os cookies estão fazendo. A Plataforma para Preferências de Privacidade (P3P) tem sido promovida como uma ferramenta que permite aos usuários examinar os cookies mais de perto e ter muito mais controle sobre o que eles fazem.
O P3P parece um par de óculos mágicos, mas os especialistas não estão muito convencidos disso. Ele funciona somente em sites web membros do World Wide Web Consortium que traduziram suas políticas de privacidade de site web para o formato da plataforma P3P. O uso dessa tecnologia não garante ao usuário a obtenção de informações sobre o remetente nem suas declarações de privacidade. É difícil para as empresas reescreverem suas declarações de privacidade para que se ajustem ao formato do P3P. Segundo o chefe de privacidade da DoubleClick, “muitas políticas de privacidade não entram em tantos detalhes quanto o P3P”. Além disso, os usuários poderão não compreender totalmente o significado de termos usados pelo P3P. Os usuários também precisam entender a diferença entre bloquear (excluí-lo) e restringir (limitar) um cookie. Bem como a diferença entre consentimento explícito e implícito, que equivalem às “opções de adesão” e “opções de retirada”. A maioria dos usuários precisaria ler arquivos de ajuda para entender toda essa linguagem. A Microsoft declara que questões de privacidade são complexas e somente podem ser reduzidas ao essencial de fácil compreensão até certo ponto.
A empresa acredita que o desafio principal é conseguir que os usuários usem suas ferramentas P3P de modo que mais sites web publiquem suas políticas de privacidade em formato P3P.
Os críticos também gostariam que o P3P obrigasse as empresas virtuais a prestarem mais contas sobre as promessas que fazem.
A tecnologia contemporânea de sistemas de informação, incluindo a tecnologia de internet, desafia os regimes tradicionais de proteção da privacidade individual e da propriedade intelectual. As leis tradicionais do direito autoral são insuficientes para proteger o software contra pirataria, porque o material digital pode ser copiado com muita facilidade.
O P3P é um software seguro? Na atual era da informação, a implantação do P3P oferece proteção à privacidade individual e à propriedade intelectual?
Resposta Comentada
Nenhum software de segurança é totalmente seguro, ele apenas restringe as ações de alguns usuários. A tecnologia contemporânea de sistemas de informação, incluindo a tecnologia de internet, desafia os regimes tradicionais de proteção da privacidade individual e da propriedade intelectual. Para se ter uma ideia, a tecnologia de banco de dados e de análise de dados permite que as empresas acumulem facilmente dados pessoais provenientes de muitas fontes diferentes e os analisem para criar perfis eletrônicos detalhados sobre os indivíduos e seus comportamentos. Dados que fluem pela internet podem ser monitorados em muitos pontos. As atividades dos visitantes de sites web podem ser rastreadas de perto usando cookies e outras ferramentas de monitoração.
Nem todos os sites web têm políticas fortes de proteção à privacidade e nem sempre permitem o consentimento informado quanto à utilização de informações pessoais. A indústria online prefere a autoregulamentação a um endurecimento da legislação de proteção à privacidade pelo governo.
A facilidade com que o material digital pode ser copiado dificulta a ação das leis tradicionais do direito autoral sobre a proteção de softwares. A evolução da tecnologia de internet também dificulta, ainda mais, a proteção da propriedade intelectual, porque o material digital pode ser copiado e transmitido simultaneamente a vários locais diferentes. Páginas web podem ser facilmente estruturadas usando partes de conteúdo de outros sites web não autorizados.
Conclusão
Seção intitulada “Conclusão”A Administração de sistemas de informação aborda três itens importantes, como: administração, organização e tecnologia, que interagem entre si, conforme veremos a seguir:
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Administração – Os gerentes são produtores de regras éticas para a empresa. São encarregados de criar as políticas e os procedimentos que estabeleçam a conduta ética, incluindo a utilização de sistemas de informação. Também são responsáveis por identificar, analisar e resolver os dilemas éticos que invariavelmente surgem quando tentam equilibrar necessidades e interesses conflitantes.
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Organização – Mudanças alimentadas pela TI estão criando novas situações em que as leis e normas de conduta existentes podem não ser relevantes. Novas “áreas cinzentas” estão emergindo, para as quais talvez ainda não tenham sido codificados padrões éticos sob a forma de lei. Na atual era da informação é preciso manter o sistema ético visando guiar as escolhas e ações individuais e empresariais.
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Tecnologia – A TI está introduzindo mudanças que criam novas questões éticas que devem ser debatidas e resolvidas pelas sociedades. O crescimento do poder da computação, da armazenagem e das capacidades de rede, incluindo a web, podem expandir o alcance das ações individuais e empresariais e aumentar seu impacto.
A facilidade e o anonimato com que a informação pode ser comunicada, copiada e manipulada em ambientes online estão desafiando as regras tradicionais sobre comportamento aceitável e não aceitável.
Atividade Final Os sistemas de informação cada vez mais fazem parte da vida das pessoas, por isso as organizações estão preocupadas com as políticas corporativas que definem a conduta ética. Preocupam-se também com as dimensões morais dos sistemas de informação que visam auxiliar os indivíduos e estimular as decisões corretas.
Você pagaria R$ 20,00 por um CD do seu artista favorito, quando poderia consegui-lo de graça na internet? Essa é a grande preocupação da indústria musical desde o advento do Napster. O Napster é um programa que provê serviços que habilitam os usuários a descobrir e compartilhar arquivos MP3 de música. Para usar o serviço da empresa, os usuários devem descarregar um software que permite que seus computadores pesquisem os discos rígidos de outros assinantes do Napster em busca de arquivos MP3.
Esses arquivos podem então ser descarregados diretamente do computador de um usuário para a máquina de outro. Embora os sistemas de computadores sejam fontes de eficiência e riqueza, às vezes causam impactos negativos.
A capacidade de ter e usar um computador pode estar acabando com as disparidades socioeconômicas existentes em diferentes grupos e classes sociais. O uso disseminado de computadores aumenta as oportunidades, aumenta também os crimes, os abusos digitais e malefícios à saúde. As corporações precisam desenvolver declarações sobre política ética para cada uma das dimensões morais dos sistemas de informação.
Segundo o caso apresentado, os sistemas de informação têm afetado a vida das pessoas? Como as organizações podem desenvolver políticas corporativas para a conduta ética?
Resposta Comentada
Embora os sistemas de computadores sejam fontes de eficiência e riqueza, às vezes causam impactos negativos e isso tem afetado a vida das pessoas. É quase impossível erradicar totalmente erros em sistemas de computadores. Esses erros podem causar sérios prejuízos a indivíduos e organizações. As leis e práticas sociais existentes atualmente são incapazes de estabelecer de quem é a obrigação de indenizar e quem deve prestar contas desses problemas. Erros menos sérios são frequentemente atribuídos à baixa qualidade dos dados, que podem causar rupturas e perdas para as empresas. Empregos podem ser perdidos quando trabalhadores são substituídos, computadores ou certas tarefas podem tornar-se desnecessárias após a reengenharia dos processos de negócios. O uso disseminado de computadores pode estar influenciando nas disparidades socioeconômicas dos grupos e classes sociais através do aumento de oportunidades, bem como dos crimes e abusos digitais. O uso incorreto dos computadores pode causar problemas de saúde como lesão por esforço repetitivo e síndrome da tela do computador. Tudo isso afeta o comportamento da sociedade e provoca mudanças.
As corporações devem desenvolver declarações sobre política ética para cada uma das dimensões morais dos sistemas de informação, de modo que auxiliem os indivíduos e estimulem decisões corretas. As principais áreas políticas que apresentam essas necessidades são: direitos individuais sobre informação (explicitar as políticas corporativas de privacidade e devido processo legal); direitos sobre a propriedade (esclarecer como a corporação tratará os direitos sobre a propriedade dos donos de softwares); prestação de contas e controle (esclarecer quem é responsável e prestará contas de informação corporativa); qualidade do sistema (idênticas metodologias e os padrões de qualidade almejados); e qualidade de vida (identificar as políticas corporativas familiar, crime digital, processo de decisão, vulnerabilidade, perda de emprego e riscos à saúde).