Pular para o conteúdo
Prof Ricardo

01. Função Financeira e Demonstrações Contábeis

Numa organização coexistem funções básicas desempenhadas de forma integrada: gestão de marketing e vendas, produção e operações, recursos materiais e patrimoniais, recursos humanos e recursos financeiros.

Todas as atividades organizacionais envolvem recursos financeiros e se orientam para a obtenção de resultados econômicos sustentáveis, margens e geração de valor. De acordo com Luzio (2011), o valor econômico da empresa está na sua capacidade de gerar caixa livre ao longo do tempo, suficiente para remunerar o capital investido pelos proprietários e credores.

flowchart TD
    Org["Organização Empresarial"] --> MKT["Marketing & Vendas"]
    Org --> OPE["Operações & Produção"]
    Org --> RH["Recursos Humanos"]
    Org --> FIN["Recursos Financeiros & Controladoria"]
    
    FIN --> Val["Geração Contínua de Valor & Liquidez"]
    
    classDef fin fill:#064e3b,stroke:#10b981,stroke-width:2px,color:#ecfdf5;
    class Org,MKT,OPE,RH,FIN,Val fin;

O Capital de Giro Líquido (CGL) ou Capital Circulante Líquido (CCL) representa os recursos financeiros necessários para manter a empresa operando no seu dia a dia (pagamento de fornecedores, compra de insumos, salários e contas a receber).

  • Ativo Circulante (ACAC): Recursos disponíveis no curto prazo (disponibilidades em caixa e bancos, aplicações financeiras de liquidez imediata, contas a receber de clientes e estoques).
  • Passivo Circulante (PCPC): Obrigações exigíveis no curto prazo (duplicatas a pagar a fornecedores, salários, encargos trabalhistas, impostos a recolher e parcelas de empréstimos).
  • CGL>0CGL > 0 (Positivo): A empresa possui folga financeira de curto prazo; parte do ativo circulante é financiada por recursos de longo prazo ou patrimônio líquido.
  • CGL<0CGL < 0 (Negativo): A empresa está em desequilíbrio financeiro no curto prazo (efeito tesoura), financiando ativos de giro com dívidas imediatas superiores à sua capacidade de realização.

O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil que reflete a posição estática, patrimonial e financeira da empresa em determinado momento.

classDiagram
    class BalancoPatrimonial {
        +Ativo : Aplicações de Recursos
        +Passivo : Origens de Terceiros
        +PatrimonioLiquido : Origens Próprias
    }
    class Ativo {
        +AtivoCirculante : Caixa, Bancos, Clientes, Estoques
        +AtivoNaoCirculante : Realizavel LP, Imobilizado
    }
    class Passivo {
        +PassivoCirculante : Fornecedores, Salários, Impostos
        +PassivoNaoCirculante : Financiamentos LP
        +PatrimonioLiquido : Capital Social, Reservas
    }
    BalancoPatrimonial *-- Ativo
    BalancoPatrimonial *-- Passivo

4. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

Seção intitulada “4. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)”

A DRE é a demonstração dinâmica que apresenta a formação do resultado líquido (lucro ou prejuízo) de um determinado período operacional:

Estrutura Padrão da DREDescrição / Fórmula
Receita Operacional BrutaFaturamento total de vendas de produtos e serviços
(-) Deduções da Receita BrutaDevoluções, abatimentos e impostos sobre vendas (ICMS, PIS, COFINS, ISS)
(=) Receita Operacional LíquidaBase líquida de geração de receita da empresa
(-) Custo dos Produtos/Serviços Vendidos (CPV/CMV)Custos diretos e indiretos incorridos para produção/venda
(=) Lucro BrutoResultado direto da produção/operação antes das despesas
(-) Despesas OperacionaisDespesas de vendas, administrativas e gerais
(=) Resultado Operacional (EBITDA / LAJIDA)Lucro gerado estritamente pelas operações
(+/-) Resultado Financeiro LíquidoReceitas financeiras menos despesas com juros e tarifas
(=) Lucro antes do Imposto de Renda (LAIR)Base de cálculo dos tributos sobre o lucro
(-) Provisão para IRPJ e CSLLTributação corporativa (15% + adicionais e CSLL 9%)
(=) Lucro Líquido do ExercícioRemuneração disponível aos acionistas/sócios

  1. FUNÇÃO FINANCEIRA NAS EMPRESAS:

Introdução

Numa organização coexistem funções básicas que são desempenhadas por uma ou várias pessoas, integradamente, dependendo do porte e da complexidade da organização. São as funções de gestão de vendas e marketing, de produção e operações, de recursos materiais e patrimoniais, de recursos humanos ou de pessoas e de recursos financeiros. De outra parte, todas as atividades organizacionais envolvem recursos financeiros e se orientam para a obtenção ou geração de lucros, margens, resultados ou sobras, dependendo do tipo de organização ou sociedades, com ou sem fins lucrativos.

Estudar finanças representa atuar sobre a geração ou destruição de valor econômico em organizações com ou sem fins lucrativos. De acordo com Luzio (2011), o valor econômico da empresa (ou de um projeto de investimento) está na sua capacidade ou habilidade de gerar caixa ao longo do tempo, suficiente para pagar, no mínimo, o custo de oportunidade dos provedores do capital financeiro.

Para Gitman (2001), finanças é a arte e a ciência do gerenciamento de fundos. As finanças lidam com o processo, as instituições, os mercados e os instrumentos envolvidos na transferência de dinheiro entre indivíduos, negócios e governo. O diretor financeiro de um grande grupo empresarial e o proprietário de um pequeno empreendimento enfrentam os mesmos desafios ao tratarem de finanças: a decisão sobre onde investir e como financiar o investimento. As proporções é que são distintas. Administração Financeira é o processo administrativo enquanto se refere aos recursos financeiros da empresa. É qualquer ato administrativo ou de tomada de decisão que implica obtenção e/ou aplicação de recursos financeiros. Lemes Junior, Rigo e Cherobin (2005) sugerem que a administração financeira tem por objetivo maximizar a riqueza dos acionistas da empresa. Para eles, o administrador financeiro é o principal responsável pela criação de valor. Ele é quem presta contas pela execução das funções financeiras da empresa. Suas atividades envolvem decisões estratégicas como: a seleção de alternativas de investimentos e as decisões de financiamento de longo prazo, além das operações de curto

prazo, como a gestão do caixa, concessão de crédito a clientes, obtenção de crédito junto a fornecedores, negociação com bancos e entidades financiadoras e gerenciamento do risco. Para os mesmos autores, a administração financeira envolve basicamente a gestão dos recursos financeiros. Como obter estes recursos e onde aplicá-los é a atividade principal do administrador financeiro. A obtenção diz respeito ao financiamento, e sua utilização refere-se à decisão de investimento. Ross, Westerfield e Jordan (1998) destacam que o objetivo da administração financeira numa sociedade por ações é maximizar o valor corrente de cada ação existente. De uma forma mais geral, poder-se-ia dizer que a administração financeira objetiva maximizar o valor de mercado do capital dos proprietários, não importando o tipo de empresa (empresário, sociedade limitada, sociedade por ações, sociedade cooperativa, etc.). Assim, pode-se afirmar que a administração financeira deve ajudar a identificar bens e serviços que criam valor para a empresa, porque são desejados e valorizados no mercado. Uma decisão financeira ótima pressupõe, primeiramente, a identificação dos aspectos financeiros relevantes, especialmente os afetos à relação risco x retorno. Assim, o administrador financeiro tem pelo menos dois desafios importantes e básicos: o primeiro é quanto investir e em quais ativos investir, e o segundo é como financiar estes investimentos.

Capital De Giro

O capital de giro é o ativo circulante da empresa para arcar com os custos e despesas fixos e variáveis. Ou seja, são os recursos financeiros que se encontram em estoque, os investimentos líquidos (como ações ou títulos do tesouro, por exemplo), os valores em contas bancárias, os pagamentos a receber, e tudo aquilo que pode ser facilmente convertido para o cumprimento das obrigações negociais e para a manutenção do bom funcionamento da empresa.

Portanto, o capital de giro se diferencia do investimento fixo, que é toda a estrutura da empresa que foi adquirida para seu funcionamento (imóveis, equipamentos, veículos, máquinas, entre outros).

Se uma empresa vende um produto a prazo no mês de maio, mas receberá o valor correspondente apenas em julho, isso significa que

durante o mês de junho será preciso ter capital para que as despesas fixas continuem sendo pagas. O seu capital de giro é como se fosse o seu banco ou sua reserva: é dali que você “empresta” recursos até que os pagamentos sejam realizados.

Outra situação comum na qual o uso do capital de giro é importante é durante períodos de sazonalidade. Todos os negócios têm meses em que o volume de vendas é menor. Se ocorrer de a empresa não atingir o ponto de equilíbrio em um mês, o capital de giro será o responsável por segurar a diferença durante um período, de forma que funcionários, impostos e demais obrigações não deixem de ser pagas por falta de dinheiro.

IMPORTÂNCIA DO CAPITAL DE GIRO

A maior importância do capital de giro é que ele representa o quanto a empresa pode dispor para adimplir e sanar suas obrigações e contas. Empresas que operam com um capital de giro baixo acabam incorrendo em maior risco financeiro, pois, em eventualidades de mercado, recessão, despesas imprevistas ou necessidade financeira, elas acabam ficando despreparadas.

Isso quer dizer que o capital de giro está diretamente ligado à saúde financeira da empresa e, por isso, é de extrema importância saber como calculá-lo e manter seu fluxo alto.

Em outras palavras, quanto maior for o capital de giro, maior será o tempo que a empresa poderá se manter em atividade, com suas obrigações em dia, mesmo que ela deixe de receber qualquer valor que seja. Em um cenário razoável, é importante ter em mente uma perspectiva de pelo menos seis meses.

Se a sua companhia tem uma despesa de R$ 20 mil por mês, recomenda-se ter pelo menos seis vezes esse valor como capital de giro – no caso, pelo menos R$ 120 mil. Trata-se de uma segurança para o empresário e para os gestores, um dinheiro que será útil em momentos de emergência – e que deve ser reposto nos momentos de bonança.

Para calcular o capital de giro líquido (CGLCGL), deve-se subtrair o passivo circulante (PCPC) do ativo circulante (ACAC):

CGL=AC−PCCGL = AC - PC

Passivo circulante: todas as despesas e custos fixos, programados ou previsíveis, como contas a pagar, fornecedores, empréstimos, salários e encargos trabalhistas, aluguéis, entre outros. Ativo circulante: é toda a forma de recursos disponíveis ou facilmente convertidos em liquidez, como valores em contas bancárias, aplicações financeiras, contas a receber, entre outros. Quanto maior o capital de giro líquido, maior a capacidade da empresa em cumprir seus compromissos e investir. Muitas instituições financeiras, quando vão avaliar uma possibilidade de empréstimo ou financiamento para uma empresa, levam em consideração esse dado como fator de risco. Empresas com capital de giro suficiente têm menos chances de ficarem inadimplentes do que aquelas que estão passando por momentos de dificuldade financeira.

Dessa forma, seja como empresário ou como gestor, tenha em mente que preparar a sua empresa para suportar momentos sazonais é fundamental desde a concepção da companhia. A atenção deve ser redobrada quando um negócio está no início: nos primeiros meses, boa parte do faturamento pode ser destinada a pagar investimentos, de maneira que o capital de giro passa a ser um suporte essencial até que se atinja um ponto de equilíbrio.

Sabendo o que é capital de giro, qual é a sua relevância para a saúde financeira da empresa e como calculá-lo, fica mais fácil agir com planejamento e ter uma gestão mais eficiente do seu negócio. Em hipótese alguma se descuide desse aspecto da sua empresa.

Classificação Das Contas No Balanço Patrimonial (BP)

ATIVO PASSIVO (Aplicações de Recursos) (Origens dos Recursos) Circulante Disponível Crédito Estoque Despesas antecipadas Não Circulante Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível Circulante Comerciais Fiscais Sociais Trabalhistas Financeiras

Não Circulante Exigível a Longo Prazo Patrimônio Líquido Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros/Prejuízos Acumulados (*) Total do Ativo Total do Passivo

Demonstração Do Resultado Do Exercício (DRE)

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é um relatório contábil que mostra a partir da confrontação entre receitas, custos, despesas, investimentos e provisões, o resultado líquido da empresa no período. Dessa forma, ela identifica se a empresa está gerando lucro ou prejuízo.

A DRE é uma demonstração financeira que auxilia bastante no controle financeiro da empresa. A partir dela, é possível analisar se no período houve lucro ou prejuízo e entender o porquê disso. Uma vez que esteja clara a situação de sua empresa, é possível traçar novos planos de ação de acordo com as suas necessidades, seja de aumentar a receita ou de diminuir custos para aumentar a lucratividade do negócio.

Além disso, por ser um dos principais documentos financeiros de uma empresa, pode ser necessária a sua apresentação para conseguir um financiamento bancário ou para atrair investidores para o negócio.

Portanto, a DRE auxilia bastante os gestores no controle financeiro da empresa e os auxilia nas tomadas de decisão da empresa.

Em primeiro lugar, devemos destacar que contas da DRE são dispostas de forma vertical. A ordem das informações contidas na DRE estão prescritas em lei, portanto, deve-se atentar a isto. Para uma melhor visualização, segue abaixo um modelo de DRE e logo após, a explicação de cada conta.

Uma observação importante é que os valores que estiverem entre parênteses na DRE são considerados “negativos”, ou seja, saída de dinheiro.

Modelo da Demonstração do Resultado do Exercício

COMPLETA SIMPLIFICADA RECEITA OPERACIONAL BRUTA Venda de Mercadorias (-) DEDUÇÕES E ABATIMENTOS (-) Receitas Canceladas (-) Descontos Incondicionais Concedidos (-) Impostos sobre Receitas (=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (-) CUSTOS OPERACIONAIS (-) Custo da Mercadoria Vendida (=) LUCRO OPERACIONAL BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS (-) Despesas com Vendas (-) Despesas Administrativas (+) Receitas Financeiras (-) Despesas Financeiras (+) Outras Receitas Operacionais (-) Outras Despesas Operacionais (=) LUCRO/PREJUÍZO OPERACIONAL (+) Outras Receitas (-) Outras Despesas (=) RESULTADO ANTES DO IR E CSLL (-) CSLL (-) IR (=) LUCRO/PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO RECEITA BRUTA (-) Impostos sobre Receitas (=) RECEITA LÍQUIDA (-) Custo da Mercadoria Vendida (=) LUCRO BRUTO (-) Despesas Comerciais (-) Despesas Gerais e Administrativas (+) Receitas Financeiras (-) Despesas Financeiras (+) Outras Receitas (-) Outras Despesas (=) LUCRO/PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

Ebitda

Sigla em inglês para Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization. (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), também conhecida como Lajida. É um indicador que representa a geração de recursos operacional de caixa.

O Que Significa Cada Conta Da DRE?

Receita Operacional Bruta: É como o capital entra na empresa, seja ele com vendas ou prestação de serviços.

Deduções da Receita Bruta: Estes são valores deduzidos diretamente nas vendas, como por exemplo os impostos sobre vendas, abatimentos (descontos), devoluções de mercadorias.

Receita Operacional Líquida: é o montante que a empresa efetivamente recebe pelas vendas de seus produtos. A partir dela, deve-se deduzir o CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) para encontrarmos o Resultado Operacional Bruto

Resultado Operacional Bruto: é o valor resultante da receita total de uma empresa menos os seus custos variáveis (custos ligados diretamente à produção, prestação de serviço ou a atividade da companhia).

Despesas Operacionais: Encontrado o Resultado Operacional Bruto, deve-se deduzir as despesas operacionais que podem ser as despesas com vendas (como fretes), despesas administrativas (salários, conta de água e luz, contabilidade, manutenção e reparos, entre outros), despesas comercias (marketing, comissões de vendedores, entre outros) e demais despesas.

Receitas e Despesas financeiras: estão relacionados aos juros; as despesas são os juros a pagar e as receitas são proveniente de aplicações financeiras da empresa.

Outras Receitas e Despesas: está relacionado com à venda de ativos imobilizados (como imóveis, maquinas, veículos) para registrar se houve um lucro ou perda na venda.

Resultado Operacional Antes Do Imposto De Renda E Da Contribuição Social E Sobre O Lucro: Do resultado encontrado deve-se deduzir o valor do Imposto de Renda e da Contribuição Social

Lucro Líquido Antes Das Participações: Do resultado encontrado, deve-se deduzir Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias, Fundos de Assistência e Previdência para Empregados, caso tenha.

Participações: É a remuneração recebida por um sócio dado um resultado positivo da empresa. Ele pode ser previsto em ato constitutivo ou ser definido pelos acionistas em assembleia.

Resultado Líquido Do Exercício: Este é o resultado final da empresa, se ele for positivo a empresa teve lucro, se for negativo a empresa teve prejuízo.