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Prof Ricardo

02. Evolução do Pensamento Econômico

  1. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO

2.1 O Pensamento Econômico em Diferentes Épocas e Escolas

Seção intitulada “2.1 O Pensamento Econômico em Diferentes Épocas e Escolas”

Estamos iniciando uma nova Unidade em que você vai acompanhar a evolução histórica da Economia. Para tanto, estudaremos as contribuições das principais correntes do pensamento econômico, tendo como ponto de partida os mercantilistas e, depois, as escolas Clássica, Marxista, Neoclássica e Keynesiana.

Num primeiro momento vamos relembrar, bem resumidamente, alguns fatos históricos que você já conhece no intuito de familiariza-la com a relação entre economia e história, o que auxilia na compreensão do desenvolvimento estrutural da sociedade como um todo.

Leia com atenção e realize as atividades que estão indicadas no final da Unidade pois esta proposta tem um só objetivo: ajudar você no processo de construção do conhecimento e no desenvolvimento de habilidades que caracterizarão seu novo perfil profissional ao final deste curso. Bem-vindo à história da dinâmica econômica!

⏳ Linha do Tempo: Evolução do Pensamento Econômico

Seção intitulada “⏳ Linha do Tempo: Evolução do Pensamento Econômico”
flowchart TD
    Feudal["🏰 Economia Feudal (Idade Média)<br/><i>Subsistência rural, igreja e condenação dos juros/acumulação</i>"]
    --> Mercant["🪙 Mercantilismo (Séc. XVI a XVIII)<br/><i>Metalismo, balança comercial favorável e forte intervenção estatal</i>"]
    --> Fisio["🌾 Fisiocracia (França, Séc. XVIII)<br/><i>Ordem natural, 'Laissez-faire' e a terra como geradora do excedente</i>"]
    --> Classica["🏭 Escola Clássica (Séc. XVIII a XIX)<br/><i>Adam Smith & David Ricardo: 'Mão Invisível', divisão do trabalho e liberalismo</i>"]
    
    Classica --> Marx["⚙️ Crítica Marxista (Séc. XIX)<br/><i>Karl Marx: Teoria da Mais-Valia, luta de classes e contradições do capital</i>"]
    Classica --> Neoclassica["📈 Escola Neoclássica / Marginalista (Fim Séc. XIX)<br/><i>Marshall & Walras: Utilidade marginal, microeconomia e equilíbrio de mercado</i>"]
    
    Neoclassica --> Keynes["🏛️ Revolução Keynesiana (1936 - Pós-Crise 1929)<br/><i>John Maynard Keynes: Demanda efetiva e intervenção do Estado na crise</i>"]

    classDef school fill:#1e293b,stroke:#10b981,stroke-width:2px,color:#f8fafc;
    class Feudal,Mercant,Fisio,Classica,Marx,Neoclassica,Keynes school;
Escola EconômicaÉpoca e ContextoPrincipais TeóricosFonte Primária da RiquezaPapel Atribuído ao EstadoConceito / Doutrina Central
MercantilismoSécs. XVI a XVIII (Expansão Marítima)Jean-Baptiste Colbert, Thomas MunAcúmulo de metais preciosos (ouro e prata)Intervencionista e MonopolistaBalança Comercial Favorável e Protecionismo
FisiocraciaSéculo XVIII (França Agrária)François Quesnay, TurgotCultivo da terra e produção agrícolaMínimo (Laissez-faire, laissez-passer)“Ordem Natural” e Tableau Économique
Escola ClássicaFinal séc. XVIII e séc. XIX (Revolução Industrial)Adam Smith, David Ricardo, Thomas MalthusTrabalho humano e divisão do trabalho produtivoMínimo (Garantir segurança, justiça e obras públicas)“Mão Invisível”, Livre Concorrência e Vantagens Comparativas
Escola MarxistaSéculo XIX (Crítica ao Capitalismo Industrial)Karl Marx, Friedrich EngelsForça de trabalho humana exploradaSocialista Transitório (Superação da propriedade privada)Mais-Valia, Luta de Classes e Materialismo Histórico
Escola NeoclássicaFinal séc. XIX e início séc. XXAlfred Marshall, Léon Walras, Carl MengerUtilidade percebida pelo consumidor na margemNeutro (O mercado se autorregula pelas forças de oferta e demanda)Utilidade Marginal, Equilíbrio Geral e Microeconomia
Escola KeynesianaSéculo XX (Pós-Grande Depressão de 1929)John Maynard KeynesCapacidade de consumo e Demanda EfetivaAtivo e Indutor (Gastos públicos compensatórios e política anticíclica)Demanda Agregada, Multiplicador de Investimentos e Pleno Emprego

A Idade Média (500 a 1000 d.C) abriu uma nova era para a humanidade. Uma outra concepção de vida deu a largada com o cristianismo, que floresceu com a queda do Império Romano. Seus ensinamentos, a partir da legalização por um decreto do ano 311, assinado pelo Imperador Constantino, passaram a ser disseminados por toda a Europa.

Foi nessa época, segundo Gastaldi (1999), que as igrejas e os mosteiros tornaram-se poderosos. A igreja tornou-se o maior agente de perpetuação da cultura de disseminação do saber e de desenvolvimento administrativo. Como o pensamento cristão condenava a acumulação de capital (riqueza) e a exploração do trabalho, a opção da igreja, então, foi pelo retorno à atividade rural. Diante dessa situação o que de fato aconteceu foi que a igreja, através de seus conventos e mosteiros, acabou tornando-se proprietária de grandes áreas de terra.

A terra transformou-se na riqueza por excelência. Nasceu, assim, o regime feudal, caracterizado por propriedades nas quais os senhores e os trabalhadores viveram do produto da terra ou do solo.

Neste período embora fosse o rei quem dirigia o Estado, ele não possuía influência ou poder de decisão nos feudos, onde a autoridade máxima era a do senhor da gleba (os proprietários ou arrendatários) e onde labutavam* os servos (os trabalhadores).

Fonte: Houassis (2004).

Com a propagação do Novo Mundo (inclusive o Brasil nas Américas), com o crescimento e o desenvolvimento das cidades, as fisionomias social, política e econômica tão profundamente moldadas na Idade Medieval, sofrerem profundas transformações. Novos conceitos surgiram no campo do comércio e da produção.

Na mesma proporção em que se enfraquecia o pensamento religioso, operavase uma forte centralização política, ocorrendo a criação das nações modernas e das monarquias absolutas, germes do capitalismo.

A prática mercantilista predominou até o início do século XVII, dando como base fundamental ao comércio o aumento das riquezas. Neste cenário ocorreu uma reação contra os excessos do absolutismo e das regulamentações.

Tivemos então a fase do mercantilismo* em decorrência do crescimento do capitalismo comercial, representando, com o capitalismo industrializado no início do século XVIII, a Economia.

*Mercantilismo – uma das primeiras doutrinas econômicas, muito usada

até o final do século XVIII. Não foi uma doutrina consistente e coerente, mas um conjunto de ideias econômicas de cunho protecionista, desenvolvidas em diversos países, as quais variavam um pouco em função dos interesses de cada Nação. Fonte: Lacombe (2004).

O mercantilismo foi um regime de nacionalismo econômico que fazia da riqueza o principal fim do Estado. Assinalou, na história econômica da humanidade, o início da evolução dos Estados modernos e das novas concepções sobre os fatos econômicos, notadamente sobre a riqueza.

A finalidade principal do Estado, no entender dos mercantilistas, era de se encontrar os meios necessários para que o respectivo país adquirisse a maior quantidade possível de ouro e prata. Os mercantilistas pretendiam disciplinar a indústria e o comércio, de forma a favorecer as exportações em detrimento das importações, ou seja, procuravam manter a balança comercial favorável.

O Brasil-Colônia foi influenciado pelo ideal mercantilista, e pelo regime do exclusivo comercial utilizado pelo Império Português. Somente com a chegada de D. João VI ao Brasil é que foram eliminadas as restrições mercantilistas, permitindo-se a instalação de indústrias nativas e o comércio direto com as demais nações.

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“Fisiocrata” vem de “fisiocracia”, que significa “poder da natureza”. Os fisiocratas não acreditavam que uma nação pudesse se desenvolver mediante, apenas, o acúmulo de metais preciosos e estímulos diretos ao comércio; acreditavam ser necessário também o investimento em produção. Não na produção industrial (ou comercial), mas na produção agrícola, pois somente nessa eram possíveis a geração e a ampliação de excedentes.

Agora que você já sabe o significado do termo fisiocrata, saberia dizer qual o objetivo da investigação dos fisiocratas?

Isso mesmo! O objeto da investigação dos fisiocratas é o sistema econômico em seu conjunto, sendo este conjunto regido por uma ordem natural, à semelhança da ordem que rege a natureza física.

Na Escola Fisiocrata tivemos um grupo de economistas franceses do século XVIII que combateu as ideias mercantilistas e formulou, pela primeira vez, uma Teoria do Liberalismo Econômico. As teses do liberalismo econômico foram criadas para combater o mercantilismo. A Teoria Liberal pressupõe a emancipação da economia de qualquer dogma externo a ela mesma, no qual todos os agentes econômicos são movidos por um impulso de crescimento e desenvolvimento econômico, que poderia ser entendido como uma ambição ou ganância individual, que no contexto macro traria benefícios para toda a sociedade. Ou seja, podemos entender, desde já, que o pensamento fisiocrático é uma resposta direta, ou uma reação, ao mercantilismo.

François Quesnay (1694–1774), médico da corte de Luís XV e de Madame de Pompadour, foi o fundador da escola fisiocrata, com a publicação na França, em 1758, do livro Tableau Economique, em que apresenta a primeira análise sistêmica da formação de uma economia no formato macro. François Quesnay tem uma grande importância na economia e foi o mais influente representante da escola fisiocrata.

Dentre as características da escola fisiocrata podemos destacar:

  • comércio baseado no regime do exclusivo comercial (metrópole e colônia); e

  • monopólio do Estado na regulamentação das atividades comerciais.

Os fisiocratas concedem à ordem da natureza uma economia inteiramente de mercado (capitalista), na qual cada um trabalha para os demais, ainda que acredite que trabalhe apenas para si mesmo.

Os fisiocratas acreditavam que as economias obedeciam a leis naturais. O Quadro Econômico proposto por Quesnay influenciou os estudos macroeconômicos e quantitativos na ciência econômica.

É importante destacarmos ainda a elevada menção que os fisiocratas atribuíam à ordem natural decorrente da estrutura econômica francesa por volta de meados do século XVIII. Tratava-se de uma economia predominantemente agrícola, sendo a terra propriedade de caráter eminentemente senhorial.

O capitalismo já se desenhava na agricultura, e existia uma classe bem definida de arrendatários (pessoas que arrendavam as terras dos senhores para trabalhar). Também existiam muitos camponeses (pequenos agricultores) em boa parte do país.

Do confronto entre a agricultura capitalista e a camponesa, obtivemos a superioridade da agricultura capitalista em termos da capacidade produtiva. Naturalmente, isso levava à crença de que agricultura baseada na produção capitalista (e não mais no fundamento do feudalismo), baseada na capacidade empresarial dos arrendatários burgueses (lembre-se disso!), constituía a mais avançada e a mais desejável das formas de produção.

O único trabalho produtivo dos fisiocratas é o trabalho agrícola. E está na terra o poder de dar origem a um produto líquido que se liga, fundamentalmente, à renda fundiária. Talvez, nesse ponto, resida grande limitação teórica dos fisiocratas, na medida em que consideravam apenas produtivo o trabalho agrícola.

Como observamos, para os fisiocratas, a sociedade é governada por leis naturais semelhantes às que existem na natureza. Portanto, o Estado, não deve intervir nesta ordem natural. Com isso, conforme dito antes, criticavam o intervencionismo estatal do mercantilismo e defendiam a posição liberal do Estado, com frases que ficaram na história: laissez-faire e laissez-passer (deixai fazer e deixai passar). A seguir, as principais escolas do pensamento econômico: clássica, marxista, neoclássica e keynesiana.

A Escola Clássica refere-se a uma linha de pensamento econômico com base em Adam Smith e David Ricardo. Foi com esta escola que a Economia adquiriu caráter científico integral à medida que passou a centralizar a abordagem teórica do valor, cuja única fonte original era identificada no trabalho em geral.

Para Paul Singer (1985, p. VII), David Ricardo foi, ao lado de Adam Smith, o principal representante da Escola Clássica de Economia Política.

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[…] Quase não há problema teórico atualmente debatido pelos economistas, como o da teoria do valor, da repartição da renda, do comércio internacional, do sistema monetário, que não tenha como ponto de partida as formulações expostas, no começo do século passado, por David Ricardo.

Além da Teoria do Valor-Trabalho, a Escola Clássica baseou-se nos preceitos filosóficos do liberalismo e do individualismo, e firmou os princípios da livre-concorrência, que exerceram decisiva influência no pensamento revolucionário burguês.

Como podemos observar, a Escola Clássica foi uma escola que caracterizou a produção, deixando a procura e o consumo para o segundo plano. Segundo Smith, o objeto da economia é estender bens e riqueza a uma nação.

E, nesse sentido, entende Smith (1981) que a riqueza somente pode ser conseguida mediante a posse do valor de troca. Valor de troca, ele é a capacidade de obter riquezas, ou seja, é a faculdade que a posse de determinado objeto oferece de comprar com ele outras mercadorias.

Smith também refutou as ideias mercantilistas argumentando que a riqueza é constituída pelos valores de troca, e não pela moeda, na medida em que esta é apenas um meio que permite a circulação de bens. Portanto, para Smith (1981), a verdadeira fonte de riqueza de um país somente pode ser alcançada mediante o trabalho, e essa fonte somente pode ser elevada com:

  • o aumento da produtividade;

  • a extensão de sua especialização; e

  • a acumulação do produto sob a forma de capital.

Então como se daria a distribuição da riqueza, na Escola Clássica? A distribuição do produto nacional?

A distribuição do produto nacional, no pensamento clássico, continuou sendo tratada de forma tradicional onde os remunerados seguiam este padrão:

  • Terra – renda;
  • Trabalho – salário;
  • Capital – lucro.

Devemos ainda destacar que a Teoria Clássica é elaborada em função de um equilíbrio automático, que ignora as crises e os ciclos econômicos. Desse modo, a oferta deve criar, necessariamente, sua própria procura – Lei de Say, e a soma dos salários e dos ganhos retidos pelos consumidores deve corresponder à quantidade global de bens oferecidos no mercado.

A Lei de Say estabeleceu que, “quando um produtor vende seu produto, o dinheiro que obtém com essa venda está sendo gasto com a mesma vontade da venda de seu produto” – sinteticamente: “a oferta cria sua própria demanda”.

Como vimos, o referencial econômico e social dessa escola se dava com base nos princípios do liberalismo e do individualismo.

Acreditava-se que um sistema de liberdade econômica, através de um mecanismo impessoal de mercado – Mão Invisível –, conseguiria harmonizar os interesses individuais.

Mão invisível Smith acreditava que a natureza é o melhor guia do homem e que a Providência Divina dispôs as coisas de tal forma que, se os homens forem deixados livres para buscar seus próprios interesses, eles naturalmente agirão favorecendo o melhor para a sociedade pois mesmo

o mais ganancioso dos motivos leva frequentemente aos mais favoráveis resultados para todos. Esse é o trabalho da “mão invisível”.

Agora de maneira sucinta, vamos ver como Smith concebia a função Estado no sistema econômico? Podemos começar?

Bem, considerando que sua obra clássica contém vários pressupostos atuais do neoliberalismo econômico, podemos afirmar que as ideias de Smith correspondiam aos anseios do poder da burguesia, e, como um liberal, ele defendia:

  • a mais ampla liberdade individual;
  • o direito inalienável à propriedade;
  • a livre iniciativa e a livre concorrência; e
  • a não-intervenção do Estado na economia.

Entretanto, para Smith (1981), o Estado deveria ter três funções:

  • proteger a sociedade da violência e da invasão de outras sociedades independentes;
  • proteger, na medida do possível, todo membro da sociedade da injustiça e da opressão de qualquer de seus membros ou oferecer uma perfeita administração da justiça; e
  • fazer e conservar certas obras públicas, e criar e manter certas instituições públicas, cuja criação e manutenção nunca despertariam o interesse de qualquer indivíduo ou de um grupo de indivíduos, porque o lucro nunca cobriria as despesas que teriam esses indivíduos, embora, quase sempre, tais despesas pudessem beneficiar e reembolsar a sociedade como um todo.

Na sua análise histórica e sociológica, Smith acreditava que, embora os indivíduos pudessem agir de forma egoísta e estritamente em proveito próprio, existia uma “mão invisível”, decorrente da providência divina, que levava esses conflitos à harmonia. Assim podemos dizer que a “mão invisível” era o próprio funcionamento sistemático das leis naturais.

O fundamento no pensamento smithiano é o fato de haver indicado quase todos os problemas que viriam a ser objetos de reflexão científica subsequente. De Smith, partiram todas as demais linhas de pesquisa que serão tratadas por outros economistas, como Marx Keynes.

Adam Smith teve muitos seguidores, dos quais destacamos os seguintes: John Stuart Mill e Jean Baptiste Say. Cabe ressaltar que alguns economistas daquela época rejeitaram a lei formulada por Say e dentre eles podemos destacar: Malthus, Karl Marx e Keynes.

Você já deve ter ouvido falar de Malthus, devido ao enfoque da teoria formulada sobre a falta de alimentos para atender ao grande crescimento da população e que, até os dias de hoje, conquista um batalhão de seguidores pelos quatro cantos do planeta. Mas quem foi Malthus? Qual o nome dado a esses novos seguidores da teoria de Malthus?

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Thomas Robert Malthus, estudioso pensador inglês do seu tempo, continua fazendo história ainda nos dias de hoje com a sua famosa tese sobre o crescimento da população. Na sociedade mundial contemporânea os seus seguidores ficaram conhecidos como neomalthusianos.

Foi com a obra Ensaio sobre o princípio da população, publicada anonimamente em 1798, que Malthus tornou-se conhecido mundialmente. Das suas ideias, a mais famosa dizia que, enquanto a população tinha tendência a crescer de forma geométrica, os alimentos cresciam de forma aritmética. Embora atraente, é óbvio que, nos dias de hoje, temos certa dificuldade em pensar assim, devido às transformações tecnológicas ocorridas na agricultura e ao sucesso dos métodos de controle de natalidade.

Tanto Malthus quanto Ricardo tiveram grande influência de Adam Smith. Na realidade, o inglês Ricardo adquiriu fortuna, desde muito jovem, operando na Bolsa de Valores. Divergiu dos estudos sobre população, de Malthus, por não acreditar que a demanda efetiva seria incapaz de se realizar no mercado.

De Ricardo, herdamos o importante estudo sobre a renda da terra. Segundo os seus ensinamentos, a expansão agrícola, ao se dar em terras menos férteis, levava à valorização da terra mais

fértil, e nas relações econômicas internacionais, à Teoria das Vantagens Comparativas.

Ao estudar a produção, Ricardo dedicou-se a tentar entender a formação do valor a partir das horas trabalhadas e sua distribuição. Na concepção ricardiana, a troca das mercadorias estava diretamente ligada às quantidades de trabalho relativas que haviam sido utilizada para sua produção. Era a Teoria do Valor– Trabalho, que começava a ser explicada com certos detalhes e que Adam Smith não conseguira superar. A importância da contribuição de Ricardo para o entendimento da formação do valor na Economia só veio ser percebida a partir dos estudos de Karl Marx.

O representante maior desta escola foi Karl Marx (1818-1883). Nascido em Trier, no sul da Alemanha, teve a sua principal obra, O capital, publicada pela primeira vez em 1867. Ao mergulhar nos estudos dos clássicos, Marx avançou nas formulações, e realizou uma leitura das mais completas e ampliadas do processo capitalista. Marx trouxe interpretações consistentes sobre a Teoria do Valor–Trabalho e buscou compreender de forma profunda a realização do capital.

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As contribuições efetivas de Karl Marx sobre o sistema capitalista estão reunidas nos três volumes da obra O Capital. O volume I foi publicado em vida e os outros dois alguns anos após sua morte. Depois da propagação da teoria formulada por Marx, que ficou conhecida como Marxista, o mundo não foi mais o mesmo.

Mesmo nos dias de hoje, com forte presença do neoliberalismo, as teorias elaboradas por Marx são respeitadas, as defesas das suas ideias continuam despertando interesse e sendo estudada.

Foi no estudo do processo de acumulação capitalista que Marx observou a gênese das crises, ora de superprodução, ora de estagnação, bem como a

distribuição da renda. Para ele, o valor da força de trabalho despendido para produzir uma mercadoria era determinado pelo tempo de trabalho empregado na produção da mercadoria. Logo podemos dizer que Marx refere-se a compreensão de um valor social.

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Marx publicou alguns livros em parceria com o amigo de vida Friedrich Engels, sendo o primeiro A sagrada família, de 1845. O livro Ideologia alemã, escrito por Marx e Engels por volta de 1845 a 1846, só veio a ser publicado em 1932, e é considerado um dos trabalhos mais significativos para a compreensão do materialismo histórico.

De acordo com a concepção do materialismo histórico, a transformação social está ligada ao desenvolvimento das forças produtivas. O livro Manifesto do Partido Comunista, de Marx, em co-autoria com Engels, foi publicado em 1848 e inaugurou a Modernidade.

Outro fator que precisamos destacar é que Karl Marx elaborou uma crítica científica do capitalismo, e este é um dos motivos pelos quais sua obra continua tendo grande repercussão, tornando-se um autor obrigatório a ser lido ainda hoje. Segundo Braga (1997), são inúmeras as evidências históricas da contemporaneidade da teoria econômica de Marx. Por exemplo, a Lei Geral da Acumulação Capitalista e a Globalização Financeira.

Podemos dizer que o desenvolvimento deste pensamento foi evidenciado em 1870, ano que marcou a mundialização das relações econômicas, e estendeu-se até 1929, quando uma grande crise atingiu as economias dos países, colocando em suspense os pressupostos da Ciência Econômica dos clássicos.

Você sabia que essa escola também ficou conhecida como Marginalista?

Isso mesmo a Escola Neoclássica foi uma extensão da Escola Marginalista, por buscar a integração da Teoria do Valor com a Teoria do Custo de Produção. Uma maior otimização dos recursos devido à escassez passou a ser objetivada. Destacamos como sendo da Escola Neoclássica:

  • Vilfredo Pareto: político, sociólogo e economista italiano, que formulou a famosa teoria do bem-estar social, influenciado pelos princípios do equilíbrio geral. Sua principal obra, Manual de Política Econômica, foi publicada em 1906. Pareto influenciou a análise atual onde se discute o grau de satisfação dos indivíduos, ao aperfeiçoar a teoria de Walras. De acordo com Brue, o estado ótimo de Pareto implica em: uma distribuição ideal de bens entre os consumidores; uma alocação ideal técnica de recursos e quantidades ideais de produção (BRUE, 2006, p. 394).

  • Léon Walras: demonstrou em suas formulações a interdependência entre os preços, quando na busca pelo equilíbrio geral macroeconômico da economia. Pertenceu a Escola Matemática de Lausanne (PINHO; VASCONCELLOS, 2003, p. 36-37).

  • Alfred Marshall: nascido em Bermondsey, um subúrbio de Londres, em 26 de julho de 1842. Filho de William Marshall e Rebeca Oliver, cresceu no bairro londrino de Clapham. Estudou em Cambridge, onde se dedicou à matemática, à física e, posteriormente, à economia. Morreu em julho de 1924, aos 81 anos. Foi um dos mais influentes economistas de seu tempo. Em seu livro, Princípios de Economia (Principles of Economics) procurou reunir num todo coerente as teorias da oferta e da demanda, da utilidade marginal e dos custos de produção, tornando-se o manual de economia mais adotado na Inglaterra por um longo período.

O ponto de partida do pensamento de John Maynard Keynes é que o sistema capitalista tem um caráter profundamente instável. Ou seja, a operação da “mão invisível”, ao contrário do que afirmavam os economistas clássicos, não produz a harmonia no mercado. Em momentos de crises, argumenta Keynes, a intervenção do Estado pode gerar demanda, mediante os investimentos, com vistas a garantir níveis elevados de emprego.

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O pensamento de Keynes comandou as bases do capitalismo mundial entre a década de 1940 e final dos anos 70. No Brasil, o pensamento keynesiano vigorou até final dos anos 80, principalmente no que diz respeito ao Estado interventor. Ou seja, a forte intervenção do Estado na economia brasileira, entre as décadas de 50 e 80, foi realizada com base teórica fundamentada no pensamento de Keynes.

A análise keynesiana veio opor-se aos postulados das economias Clássica e Neoclássica, que tinham na Lei de Say* a sua pedra angular. Os pensadores que mais contribuíram para a concepção e divulgação dessa Lei, passada como um dos princípios inquestionáveis da Economia Política Clássica, foram os economistas Jean Say, David Ricardo e Stuart Mill.

*Lei de Say – diz que a soma dos valores de tudo aquilo que é produzido é sempre equivalente à soma dos valores empregados como fatores na produção. Fonte: Lacombe (2004).

Introdutoriamente, a Lei de Say estabeleceu que toda produção encontra uma demanda, ou seja, que toda a renda (lucros, juros, salários) é inteiramente gasta na compra de mercadorias e serviços, e, portanto, não pode haver um excesso de produção ou renda em relação à demanda ou às despesas efetivamente realizadas.

Observando a Lei de Say, muitos economistas deduziram que o seu princípio é válido para uma economia de produtores simples, de troca, de escambo, na qual cada família seria proprietária de seus meios de produção e trocaria apenas o excedente de bens que ela mesma produz, mas não consome.

Diante do exposto você sabe destacar qual a atribuição que cabe ao dinheiro?

Exatamente nesta Lei, o dinheiro é visto apenas como um meio de troca, sendo gasto imediatamente. Para Say, ninguém teria interesse em conservá-lo (atribuindo-lhe reserva de valor). Para Ricardo, o fato de ninguém querer conservá-lo se deve ao fato de o dinheiro servir apenas para aquisição de bens de consumo ou bens de produção, para a criação de bens de consumo no futuro.

Assim podemos afirmar que dentro da filosofia de Say os produtores ou possuidores de dinheiro não tinham interesse em mantê-lo em suas mãos mais que o necessário e a demanda seria ilimitada.

Mas você pode estar se perguntando: o que significa isso?

Significa que sempre existirá uma demanda por um ou outro tipo de produto ou seja, ainda que ocorra excesso de produção, isso acontece apenas para certos tipos de mercadoria e em caráter temporário. Esse argumento de que a demanda é ilimitada é essencial para os clássicos e neoclássicos, pois assegura a inexistência de um excesso de produção em relação à demanda. Isso significa que tudo o que for produzido é, naturalmente, vendido. Todo o poder de compra da sociedade é sempre utilizado.

Mas o que é poder de compra? É demanda. É procura.

Diante do que vimos até aqui, fica entendido que toda a renda ganha é sempre gasta no processo produtivo, sinalizando a inexistência de entesouramento. Ou seja, na Lei de Say, inexiste entesouramento do dinheiro. Nenhum indivíduo, ao auferir uma renda, deixa de usá-la inteiramente. Uma parte dela é utilizada para o consumo pessoal, enquanto a outra parte é poupada. Cuidado: aqui, poupança, deve ser dito, não significa entesouramento para a Lei de Say. A poupança será sempre utilizada. Ou o indivíduo a emprega para acumular capital ou a empresta para outro, que deve imediatamente fazer uso dela. Assim podemos dizer que tudo que é ganho deve ser gasto. E se parte não é, outra pessoa o faz, recebendo o dinheiro por empréstimo.

Considerando que o volume dos meios de produção e da força de trabalho é regulado pela produção, temos que a economia tende a operar com pleno emprego de recursos (ou plena capacidade de produção).

Mas se ocorrer excesso de capacidade produtiva (seja de força de trabalho, seja de capital), o que fazer?

Nesse caso, os recursos empregados se deslocariam para outro ramo da atividade no qual existisse demanda suficiente para absorver uma produção adicional, assegurando, desta forma, uma taxa de lucro compensatória.

Os economistas adeptos da Lei de Say encaravam o desemprego como uma pequena anormalidade do sistema capitalista, que tinha a sua origem na intervenção estatal e na associação dos trabalhadores sindicais. Indicavam que

também uma das causas do desemprego eram os altos salários pagos. Então, para corrigir o desemprego, os salários deveriam ser flexíveis.

Baseados na Lei de Say, os gastos públicos não exerciam qualquer efeito positivo sobre a economia e, em especial, sobre o crescimento econômico. Acreditavam, que os gastos do Estado poderiam ser um obstáculo para o crescimento econômico, visto que transferiam fundos de acumulação para utilizá-los em atividades improdutivas.

O pensamento de Keynes é a própria negação do pensamento clássico. Ao contrário de Ricardo e Say, Keynes entendeu que, para a sobrevivência do capitalismo, era necessária uma ação efetiva do Estado na regulação das crises do capital. Keynes pode ser considerado como o retrato do indivíduo liberal de seu tempo. Detinha um caráter profundamente individualista, mas percebia os problemas sociais de sua época. É considerado o mais célebre economista do século XX, pioneiro da Macroeconomia.

As obras de Keynes mostram que suas preocupações estavam sempre ligadas a questões práticas e políticas de conjuntura. Não parecia interessado em reconstruir a teoria econômica a partir da análise do valor, mas em verificar por que as teses marginalistas, nas quais fora educado, conduziam a políticas inconsistentes. Em 1930, escreveu Tratado sobre a moeda, e em 1936 a sua principal obra, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Foi esta última que mais contestou a Teoria Marginalista, Neoclássica ou Clássica.

A Teoria Geral abalou profundamente os pressupostos do liberalismo econômico, mostrando a inexistência do princípio do equilíbrio automático na economia capitalista. Até então, nos meios marginalistas, a economia de mercado encontrava naturalmente seu equilíbrio, numa situação em que todos os que desejassem trabalhar por uma remuneração correspondente à sua produtividade poderiam fazê-lo.

A questão da produção e do emprego foi demasiadamente avaliada por Keynes. Ele concluiu que o fator responsável pela alteração do volume de emprego é a procura de mão de obra, e não a sua oferta, como pensavam os neoclássicos. Logo, o desemprego é o resultado de uma demanda insuficiente de bens e serviços, e somente pode ser resolvido por meio de investimentos. O investimento, para Keynes, é o fator dinâmico na economia, capaz de assegurar o pleno emprego e influenciar a demanda.

Ao contrário da tradição clássica e neoclássica, Keynes enfatiza acentuadamente o papel do Estado na economia, e destaca que as mudanças no sistema produtivo não poderiam ocorrer sem a ação efetiva do poder público.

O grande eixo da análise de Keynes sobre a intervenção do Estado na economia é a superação da crise, no curto prazo, durante a própria crise, possibilitando o aumento dos investimentos através de uma política de aumento da demanda. O aumento das despesas em obras públicas, graças ao multiplicador, provocaria o aquecimento da economia, que se espalharia para os demais setores.

Contudo é através dos investimentos privados, visto como eixo central de toda economia, que promovemos a elevação do nível de emprego, aumentamos a renda e o crescimento econômico. Nesse sentido, é do Estado a responsabilidade de ativar o investimento e de assegurar a alocação dos recursos.

Keynes estava convencido da importância da ação do Estado na economia, e toda a ação governamental deveria estar pautada na busca de reduzir os efeitos da crise de acumulação de capitais, que, de qualquer forma, promoveria a queima de certa quantidade de capital.

Há uma procura incessante por novas alternativas ao modelo keynesiano. Os pós-keynesianos se enquadram neste grupo e estão entre os que se preocupam com o princípio da demanda efetiva, o desempenho da moeda e as expectativas do comportamento das economias. É por isso que, nessa escola, os estudos da determinação dos títulos no mercado são realizados com bastante atenção.

  1. Como era o pensamento econômico na Idade Média?
  2. O que foi o Mercantilismo? E qual sua influência na Revolução Industrial?
  3. Qual o objeto de estudo dos Fisiocratas, e suas principais características?
  4. Qual a linha de pensamento da escola Clássica?
  5. Segundo Adam Smith quais são as três funções básicas do Estado?
  6. Explique o pensamento da Escola Keynesiana?