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Prof Ricardo

03. Identificação de Oportunidades

Teste 1 autoavaliação de seu perfil empreendedor (ambiente, atitudes e know-how)

Segundo Dornelas (2007), é possível fazer uma autoavaliação do perfil empreendedor, utilizando elementos que identificam esse perfil diante do ambiente, atitudes e knowhow do empreendedor. Então, antes de enveredarmos na geração de ideias, faremos uma autoavaliação para traçarmos seu perfil empreendedor. Para essa autoavaliação, siga as instruções a seguir e preencha o questionário.

  1. Atribua à sua pessoa uma nota de 1 a 5 para cada uma das características a seguir e escreva a nota na última coluna.
  2. Some as notas obtidas para todas as características.
  3. Analise seu resultado global com base nas explicações ao final.
  4. Destaque seus principais pontos fortes e pontos fracos.
  5. Quais dos pontos fortes destacados são mais importantes para o desempenho de suas atribuições atuais no seu trabalho?
  6. Quais dos pontos fracos destacados deveriam ser trabalhados para que o seu desempenho no trabalho seja melhorado? É possível melhorá-los?
CaracterísticasExcelenteBomRegularFracoInsuficienteNota
54321
Comprometimento e determinação
1. Proatividade na tomada de decisão
2. Tenacidade, obstinação
3. Disciplina, dedicação
4. Persistência em resolver problemas
5. Disposição ao sacrifício para atingir metas
6. Imersão total nas atividades que desenvolve
Obsessão pelas oportunidades
7. Procura ter conhecimento profundo das necessidades dos clientes
8. É dirigido pelo mercado (market driven)
9. Obsessão em criar valor e satisfazer os clientes
Tolerância ao risco, ambiguidade e incertezas
10. Toma riscos calculados (analisa tudo antes de agir)
11. Procura minimizar os riscos
12. Tolerância às incertezas e falta de estrutura
13. Tolerância ao stress e conflitos
14. Hábil em resolver problemas e integrar soluções
Criatividade, autoconfiança e habilidade de adaptação
15. Não convencional, cabeça aberta, pensador
16. Não se conforma com o status quo
17. Hábil em adaptar a novas situações
18. Não tem medo de falhar
19. Hábil em definir conceitos e detalhar ideias
Motivação e superação
20. Orientação a metas e resultados
21. Dirigido pela necessidade de crescer e atingir melhores resultados
22. Não se preocupa com status e poder
23. Autoconfiança
24. Ciente de suas fraquezas e forças
25. Tem senso de humor e procura estar animado
Liderança
26. Tem iniciativa
27. Poder de autocontrole
28. Transmite integridade e confiabilidade
29. É paciente e sabe ouvir
30. Sabe construir times e trabalhar em equipe
TOTAL

Analise seu desempenho: 120 a 150 pontos: Você provavelmente já é um empreendedor, possui as características comuns aos empreendedores e tem tudo para se diferenciar em sua organização. 90 a 119 pontos: Você possui muitas características empreendedoras e às vezes se comporta como um, porém você pode melhorar ainda mais se equilibrar os pontos ainda fracos com os pontos já fortes. 60 a 89 pontos: Você ainda não é muito empreendedor e provavelmente se comporta, na maior parte do tempo, como um administrador e não um “fazedor”. Para se diferenciar e começar a praticar atitudes empreendedoras procure analisar os seus principais pontos fracos e definir estratégias pessoais para eliminá-los. Menos de 59 pontos: Você não é empreendedor e se continuar a agir como age dificilmente será um. Isto não significa que você não tem qualidades, apenas que prefere seguir a ser seguido. Se seu anseio é ser reconhecido como empreendedor, reavalie sua carreira e seus objetivos pessoais, bem como suas ações para concretizar tais objetivos.

Ilustração

Definição de estratégia a seguir:

Resultados desejados e prazo para alcançá-los:

3 Liderança Empreendedora

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, conheceremos os principais conceitos da liderança empreendedora, vamos iniciar? Os principais aspectos relacionados à liderança envolvem a influência pessoal, o relacionamento de poder e o processo de influenciação. Serão considerados os elementos-chave da liderança, os estilos de gestão envolvidos e os papéis e modelos de líder. O conceito de Liderança tem sido um tópico de grande interesse no transcorrer da história, geralmente abordado por filósofos e historiadores. Mas foi apenas no século XX que começaram a surgir estudos científicos sérios no assunto. Calcula-se que existam mais de 350 diferentes definições para o termo ‘Liderança’ e já se disse que a liderança é um dos aspectos mais estudados, mas menos compreendido da gestão organizacional de nossos tempos. Essa dificuldade em definir o conceito de liderança está na própria natureza complexa do tema. Algumas definições de liderança, na literatura organizacional, pesquisadas por Yukl e citadas por Bergamini, são apresentadas a seguir:

É influência pessoal, exercida em uma situação e dirigida através do processo de comunicação, no sentido do atingimento de um objetivo específico ou objetivos. (TANNENBAUM; WESCHLER; MASSARIK, 1961, p. 24 apud BERGAMINI, 1994, p. 15). É um tipo especial de relacionamento de poder. (JANDA, 1960, p. 35 apud BERGAMINI, 1994, p. 15). É o processo de influenciar as atividades de um grupo organizado na direção da realização de um objetivo. (ROUCH; BEHLING, 1984, p. 46 apud BERGAMINI,1994, p. 15). Conforme observado por Bergamini (1994, p. 15), há pelo menos dois elementos que sempre aparecem nas definições de liderança: o fato de a liderança ser um fenômeno grupal, ou seja, depender do envolvimento de mais de duas pessoas e de se tratar de um processo de influenciação do líder sobre seus subordinados, de forma intencional.

Rickards e Moger (2000) tratam a liderança como um processo onde é destacada a figura do líder como principal elemento de facilitação da formação e alcance dos resultados de equipes. Para eles, o processo de liderança é voltado para a busca do sucesso na inovação organizacional.

Assim sendo, liderança é um relacionamento de influência entre líderes e liderados, objetivando mudanças significativas que reflitam os propósitos compartilhados, ou seja, a liderança envolve a influência de pessoas para se atingir resultados desejados, tornando a inovação real. É aqui que os conceitos de Empreendedorismo, Inovação e Liderança se cruzam, pois um dos desafios estratégicos das empresas, de qualquer porte, é conseguir uma capacidade permanente de inovação, ou seja, mudanças, que possibilite a procura de novas oportunidades e o desenvolvimento de novos modelos de negócio. Nos últimos anos, as empresas têm descoberto as vantagens de motivar a capacidade empreendedora dos empregados, o que exige que os administradores exerçam um estilo de liderança empreendedora. Dessa forma, ao unir-se o Empreendedor com o Líder, obtém-se o Líder Empreendedor, ou seja, aquele profissional focado em resultados, que estimula seus colaboradores à ação, atendendo aos objetivos de sua organização, qualquer que seja seu porte. Esse tipo de profissional torna-se um verdadeiro agente de mudanças, um dos pilares do empreendedorismo e, para isso, transforma seus colaboradores também em líderes de seus próprios processos, o que

estimula a inovação constante.

Aqui estão alguns elementos-chave do conceito de liderança empresarial:

a) Influência; b) Intenção e propósito compartilhados; c) Mudança; d) Responsabilidade pessoal.

A influência significa que o processo de liderar não é passivo, ou seja, é um processo multidirecional, onde o líder influencia, mas também recebe influências de seus liderados. O líder empreendedor não só faz, como motiva outros a segui-lo nas suas atitudes, fazendo de maneira motivacional, não coercitiva (não imposta).

A intenção, ou seja, o desejo ou a vontade de realizar, significa que as pessoas precisam estar ativamente envolvidas na inovação e na mudança, e isto só acontece quando as pessoas estão realmente motivadas a fazê-lo. O líder empreendedor precisa tornar sua visão e seus propósitos claros o bastante para que todos possam entendê-los. Além disso, é importante que os propósitos reflitam os interesses comuns entre líder e liderados.

(FERREIRA, 1986, p. 1403).

O líder empreendedor precisa entender que as pessoas envolvidas em um relacionamento, quando compartilham objetivos (propósitos) comuns, querem mudanças substanciais, ou seja, querem que as coisas sempre evoluam de maneira perceptível e que representem uma agregação de valores a todos os envolvidos – empresa e colaboradores. E os resultados somente serão atingidos, se cada pessoa envolvida assumir a responsabilidade pessoal de atingir o futuro, ou seja, os objetivos, que se deseja. A liderança empreendedora atinge seu auge quando é compartilhada entre os líderes e colaboradores, com todos inteiramente envolvidos e aceitando maior responsabilidade. Portanto, a liderança empreendedora envolve a influência de pessoas, para terem os mesmos propósitos, motivados pelas mesmas intenções, para fazer a mudança ocorrer, em direção a um futuro desejável e compartilhado. Nesse ponto, surge uma questão recorrente no estudo da liderança: esta pode ser aprendida? Ou seja, pode-se ensinar a alguém ser um líder? Ocorre que há muitas opiniões entre os pesquisadores e estudiosos da liderança, alguns defendendo que é possível aprender a liderar e outros afirmando que não. Polêmicas à parte, o fato é que algumas pessoas apresentam certas características inatas que certamente facilitam a aplicação de um modelo de liderança, assim como com o empreendedorismo, onde também alguns já nascem com certas habilidades para criar inovações, maiores que outros. Entretanto, tanto a liderança quanto o empreendedorismo, possui um conjunto de técnicas que permite a todos os interessados desenvolvê-las apropriadamente. Então, que atitudes práticas podem tomar os que querem desenvolver suas habilidades como líderes empreendedores? Um artigo publicado no site da Warton School da Universidade de Pennsylvania, com o tema “Como se forma um bom líder empreendedor?”, comentando um trabalho dos pesquisadores Gupta e MacMillan, ajuda a montar um modelo de atuação:

Gupta e MacMillan afirmam que o líder empreendedor deve desempenhar duas funções: a primeira é ‘atuação transformacional’, ou a conjetura de possíveis resultados diante da incerteza. A segunda refere-se à ‘atuação diante do pessoal’, ou motivação de um grupo de pessoas para ajudar a criar novos modelos de negócio que reduzam a incerteza. Os autores dividem a atuação transformacional em três tarefas:

  1. Absorver a incerteza: Assuma a responsabilidade pelo resultado incerto de um novo projeto. Como explica MacMillan, ‘É dizer ao seu pessoal, ‘se eu estiver errado, o problema é meu, não de vocês. Portanto, vocês podem atuar como se tudo fosse ocorrer como eu projetei’.
  2. Projetar o desafio: Exponha um projeto que estimule os funcionários ao máximo, mas não além, de sua capacidade.
  3. Buscar apoio/preparar o terreno: Crie um ambiente propício à transformação empreendedora, negociando o apoio das principais partes interessadas dentro e fora da empresa. Com relação à ‘atuação diante do pessoal’, o líder empreendedor deve atender a duas imposições:
  4. Conseguir o compromisso dos funcionários: Promova entre os funcionários a disposição para trabalhar por um objetivo comum, no sentido da criação de uma equipe motivada tradicional.
  5. ‘Definir o que é grave’: Derrubar as barreiras autoimpostas pelos membros da equipe e os estereótipos sobre o que pode e não pode ser feito, a fim de produzir ações integradoras e decisivas. Um líder empreendedor terá a noção de até que ponto os recursos das pessoas foram subestimados. (UNIVERSIA, 2002).

Conforme esse artigo, o desempenho do líder empreendedor, nesses cinco papéis, é a chave para o tipo de liderança que as empresas de hoje precisam para prosperar.

Outro aspecto importante que os líderes empreendedores precisam levar em conta tem a ver com o estilo de gestão que desenvolvem. Perceba, caro(a) aluno(a), que para isso é importante que percebam as nítidas diferenças entre o comportamento do “líder” e do “gerente”, como mostra o Quadro 3, a seguir, extraído de Bennis (1996 apud CAVALCANTE et al., 2006).

Quadro 3 – Diferenças entre o líder e o gerente.

GERENTELÍDER
AdministraInova
Prioriza sistemas e estruturasPrioriza as pessoas
Tem uma visão de curto prazoTem perspectiva de futuro
Pergunta como e quandoPergunta o quê e por quê
Exerce o controleInspira confiança
Aceita e mantém o status quoDesafia o status quo
É o clássico “bom soldado”É a sua própria pessoa
Faz certo as coisas (é eficiente)Faz a coisa certa (é eficaz)