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Prof Ricardo

03. Gestão da Produção, Ciclo de Vida e Projeto do Produto

A administração da produção preocupa-se com o projeto, operação e aprimoramento dos sistemas que criam os produtos e serviços da organização. As empresas de classe mundial orientam suas operações sob cinco objetivos de desempenho fundamentais:

  1. Qualidade: Fazer as coisas certas, prevenindo defeitos.
  2. Rapidez: Minimizar o tempo entre a solicitação do cliente e a entrega final (lead time).
  3. Confiabilidade: Cumprir pontualmente as datas prometidas de entrega.
  4. Flexibilidade: Capacidade de adaptar o mix de produção ou o volume a mudanças na demanda.
  5. Custo: Operar ao menor custo compatível com o padrão de qualidade exigido pelo mercado.
flowchart TD
    Comp["Competitividade de Mercado"]
    Comp --> Qual["1. Qualidade Superior"]
    Comp --> Rap["2. Rapidez na Entrega"]
    Comp --> Conf["3. Confiabilidade Operacional"]
    Comp --> Flex["4. Flexibilidade de Processos"]
    Comp --> Custo["5. Eficiência de Custos"]

    classDef obj fill:#1e293b,stroke:#10b981,stroke-width:2px,color:#f8fafc;
    class Comp,Qual,Rap,Conf,Flex,Custo obj;

Todo produto passa por quatro etapas com implicações diretas na capacidade produtiva e gestão da cadeia de suprimentos:

  1. Introdução: Vendas modestas, custos elevados de P&D, produção em pequenos lotes e margens reduzidas.
  2. Crescimento: Rápida expansão de vendas, economias de escala e ampliação de capacidade instalada.
  3. Maturidade: Estabilização das vendas no pico, forte concorrência de preços e foco máximo em redução de custos operacionais.
  4. Declínio: Queda contínua de demanda por obsolescência tecnológica, exigindo substituição ou descontinuação.

🔄 O Sistema de Produção como Processo de Conversão

Seção intitulada “🔄 O Sistema de Produção como Processo de Conversão”
flowchart LR
    subgraph Entradas["INPUTS (Entradas)"]
        E1["Matérias-primas"]
        E2["Mão de obra"]
        E3["Equipamentos"]
        E4["Energia e Informações"]
    end

    subgraph Transf["PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO"]
        T1["Operações Físicas"]
        T2["Tratamento Térmico/Químico"]
        T3["Montagem e Acabamento"]
    end

    subgraph Saidas["OUTPUTS (Saídas)"]
        S1["Produtos Acabados"]
        S2["Serviços Prestados"]
        S3["Resíduos Ambientais"]
    end

    Entradas --> Transf --> Saidas
    Saidas -. Feedback e Controle da Qualidade .-> Entradas

    classDef sys fill:#1e293b,stroke:#10b981,stroke-width:2px,color:#f8fafc;
    class E1,E2,E3,E4,T1,T2,T3,S1,S2,S3 sys;

📈 Matriz Estratégica do Ciclo de Vida do Produto (CVP)

Seção intitulada “📈 Matriz Estratégica do Ciclo de Vida do Produto (CVP)”
Fase do Ciclo de VidaComportamento das VendasFoco do Sistema ProdutivoFlexibilidade vs. EscalaNível de Custo Unitário
🌱 IntroduçãoLentas e incertasProjeto, ajustes de engenharia e confiabilidadeAlta flexibilidade, pequenos lotesMuito elevado (P&D e baixo volume)
🚀 CrescimentoAceleração rápidaExpansão de capacidade produtiva e combate a gargalosTransição para processos padronizadosRedução contínua por curva de aprendizado
👑 MaturidadePico e estabilizaçãoOtimização estrita de custos, lead time e automaçãoMáxima escala e padronização rígidaMenor custo unitário possível
🍂 DeclínioQueda progressivaRacionalização de capacidade e estoques mínimosRedução de turnos e linhas dedicadasAumento marginal por perda de escala


  1. GESTÃO DA PRODUÇÃO

  2. Princípios De Administração Da Produção

1.1. Evolução Histórica

A função produção, entendida como o conjunto de atividades que levam à transformação de um bem tangível em um outro com maior utilidade, acompanha o homem desde sua origem. Quando polia a pedra a fim de transformá-la em utensílio mais eficaz, o homem pré-histórico estava executando uma atividade de produção. Nesse primeiro estágio, as ferramentas e os utensílios eram utilizados exclusivamente por quem os produzia, ou seja, inexistia o comércio, mesmo que de troca ou escambo.

Com o passar do tempo, muitas pessoas se revelaram extremamente habilidosas na produção de certos bens, e passaram a produzi-los conforme solicitação e especificações presentadas por terceiros. Surgiam então os primeiros artesãos e a primeira forma de produção organizada, já que os artesãos estabeleciam prazos de entrega, consequentemente estabelecendo prioridades, atendiam especificações preestabelecidas e fixavam preços para suas encomendas. A produção artesanal também evoluiu. Os artesãos, em face do grande número de encomendas, começaram a contratar ajudantes, que inicialmente faziam apenas os trabalhos mais grosseiros e de menor responsabilidade. À medida que aprendiam o ofício, entretanto, esses ajudantes se tomavam novos artesãos.

A produção artesanal começou a entrar em decadência com o advento da Revolução Industrial. Com a descoberta da máquina a vapor em 1764 por James Watt, tem início o processo de substituição da força humana pela força da máquina. Os artesãos, que até então trabalhavam em suas próprias oficinas, começaram a ser agrupados nas primeiras fábricas. Essa verdadeira revolução na maneira como os produtos eram fabricados trouxe consigo algumas exigências. Por exemplo:

  • padronização dos produtos;
  • padronização dos processos de fabricação;
  • treinamento e habilitação da mão-de-obra direta;
  • criação e desenvolvimento dos quadros gerenciais e de supervisão:
  • desenvolvimento de técnicas de planejamento e controle da produção;
  • desenvolvimento de técnicas de planejamento e controle financeiro;
  • desenvolvimento de técnicas de vendas.

Muitos dos conceitos que hoje nos parecem óbvios não o eram na época, como o conceito de padronização de componentes introduzido por Eh Whitney em 1790, quando conduziu a produção de mosquetões com peças intercambiáveis, fornecendo uma grande vantagem operacional aos exércitos. Teve início o registro, através de desenhos e croquis, dos produtos e processos fabris, surgindo a função de projeto de produto, de processos, de instalações, de equipamentos etc.

No fim do século XIX surgiram nos Estados Unidos os trabalhos de Frederick W. Taylor, considerado o pai da Administração Cientifica. E com os trabalhos de Taylor surge a sistematização do conceito de produtividade, isto é, a procura incessante por melhores métodos de trabalho e processos de produção, como objetivo de se obter melhoria da produtividade com o menor custo possível. Essa procura ainda hoje é o tema central em todas as empresas, mudando-se apenas as técnicas utilizadas. A análise da relação entre o output (saídas) — ou, em outros termos, uma medida quantitativa do que foi produzido, como quantidade ou valor das receitas provenientes da venda dos produtos e/ou serviços finais — e o input (entradas) — ou, em outros termos, uma medida quantitativa dos insumos, como quantidade ou valor das matérias-primas, mão-de-obra, energia elétrica. capital, instalações prediais etc. — nos permite quantificar a produtividade, que sempre foi o grande indicador do sucesso ou fracasso das empresas.

Produtividade = Saídas (Outputs)

Entradas (Inputs)

Na década de 10 Henry Ford cria a linha de montagem seriada, revolucionando os métodos e processos produtivos até então existentes. Surge o conceito de produção em massa, caracterizada por grandes volumes de produtos extremamente padronizados, isto é, baixíssima variação nos tipos de produtos finais. Essa busca da melhoria da produtividade por meio de nova técnicas definiu o que se denominou engenharia industrial. Novos conceitos foram introduzidos, tais como:

  • linha de montagem;

  • posto de trabalho;

  • estoques intermediários;

  • monotonia do trabalho;

  • arranjo físico;

  • balanceamento de linha;

  • produtos em processo;

  • motivação;

  • sindicatos:

  • manutenção preventiva;

  • controle estatístico da qualidade;

  • fluxogramas de processos.

A produção em massa aumentou de maneira fantástica a produtividade e a qualidade, e foram obtidos produtos bem mais uniformes, em razão da padronização e da aplicação de técnicas de controle estatístico da qualidade. A título de ilustração, em fins de 1996 já tínhamos no Brasil fábricas que montavam 1.800 automóveis em um dia, ou seja, uma média de 1,25 automóvel por minuto.

O conceito de produção em massa e as técnicas produtivas dele decorrentes predominaram nas fábricas até meados da década de 60, quando surgiram novas técnicas produtivas, que vieram a caracterizar a denominada produção enxuta. A produção enxuta introduziu, entre outros, os seguintes conceitos:

  • just-in-time
  • engenharia simultânea;
  • tecnologia de grupo;
  • consórcio modular;
  • células de produção;
  • desdobramento da função qualidade;
  • comakership
  • sistemas flexíveis de manufatura;
  • manufatura integrada por computador;
  • benchmarking.

Ao longo desse processo de modernização da produção, cresce em importância a figura do consumidor em nome do qual tudo se tem feito. Pode-se dizer que a procura da satisfação do consumidor é que tem levado as empresas a se atualizarem com novas técnicas de produção, cada vez mais eficazes, eficientes e de alta produtividade. É tão grande a atenção dispensada ao consumidor que este, em muitos casos, já especifica em detalhes o “seu” produto, sem que isso atrapalhe os processos de produção do fornecedor, tal a sua flexibilidade. Assim, estamos caminhando para a produção customizada, que, sob certos aspectos, é um “retorno ao artesanato” sem a figura do artesão, que passa a ser substituído por moderníssimas fábricas.

A denominada empresa de classe mundial é aquela voltada para o cliente, sem perder a característica de empresa enxuta, com indicadores de produtividade que a colocam no topo entre seus concorrentes, em termos mundiais, e também a característica de procurar incessantemente por melhorias. Em resumo, a empresa de classe mundial tem como cultura a melhoria contínua através de técnicas sofisticadas, como modelagem matemática para simulações de cenários futuros.

1.2. Manufatura e Serviços

Ao longo de todo o desenvolvimento dos processos de fabricação de bens tangíveis, estiveram presentes, sempre de forma crescente, os serviços. Podemos afirmar que, até meados da década de 50, a indústria de transformação era a que mais se destacava no cenário político e econômico mundial. As chaminés das fábricas eram símbolo de poder, pois empregavam mais pessoas e eram responsáveis pela maior parte do produto interno bruto dos países industrializados.

Os manuais e trabalhos acadêmicos sobre produção referiam-se ao “chão de fábrica” e abordavam temas relativos à fabricação de bens tangíveis, tais como: arranjo físico, processos de fabricação, planejamento e controle da produção, controle da qualidade, manutenção das instalações fabris, manuseio e armazenamento de materiais, produtividade da mão-de-obra direta etc., que, como elementos da engenharia industrial, eram denominados Administração da Produção.

Hoje isso não é mais verdadeiro. O setor de serviços emprega mais pessoas e gera maior parcela do produto interno bruto na maioria das nações do mundo. Dessa forma, passou-se a dar ao fornecimento de serviços uma abordagem semelhante à dada à fabricação de bens tangíveis. Foram incorporadas praticamente todas as técnicas até então usadas pela engenharia industrial. Houve, pois, uma ampliação do conceito de produção, que passou a incorporar os serviços. Fechou-se o universo de possibilidades de produção e a ele deu-se o nome de Operações. Assim, Operações compõem o conjunto de todas as atividades da empresa relacionadas com a produção de bens e/ou serviços.

Doravante designaremos Administração da Produção/Operações o conjunto de técnicas e conceitos apresentados no restante deste trabalho.

1.3. Fluxos de Mercadorias, Serviços e Capitais

O consumidor constitui a base de referência de todos os esforços feitos nas empresas modernas. Atendê-lo da melhor forma possível deve ser o objetivo de toda empresa. Torna-se necessário que os produtos e/ou serviços estejam à disposição para serem consumidos, devendo estar próximos ao consumidor. As necessitam cada vez mais de esquemas de distribuição rápidos e eficazes, com vários depósitos de produtos acabados junto aos mercados consumidores, ou esquemas de entrega extremamente ágeis, pois o prazo de entrega é fator essencial na decisão de comprar. A Logística Empresarial, parte integrante da Administração das Operações, constitui um conjunto de técnicas de gestão da distribuição e transporte dos produtos finais, do transporte e manuseio interno às instalações e do transporte das matérias-primas necessárias ao processo produtivo.

Com a globalização das economias e a criação de produtos padronizados em termos mundiais — a exemplo dos carros mundiais, cujas partes podem ser produzidas em países diferentes — o fluxo de mercadorias tende a atingir volumes jamais vistos.

No tocante aos serviços, o volume tende a ser ainda maior. Com a melhoria dos meios de comunicação. é normal vermos empresas com seus departamentos de cobrança, de atendimento ao cliente, jurídico etc. em cidades diferentes.

Na área de mercados de capitais temos os fluxos de dinheiro, que, como uma “nuvem”, vagam sobre o mundo à procura de locais onde possam descer” e obter o máximo rendimento possível.

1.4. Objetivos da Administração da Produção/Operações

Podemos afirmar que todas as atividades desenvolvidas por uma empresa visando atender seus objetivos de curto, médio e longo prazos, se inter-relacionam, muitas vezes de forma extremamente complexa. Como tais atividades, na tentativa de transformar insumos, tais como matérias-primas, em produtos acabados e/ou serviços, consomem recursos e nem sempre agregam valor ao produto final, constitui objetivo da Administração da Produção/Operações a gestão eficaz dessas atividades. Dentro desse conceito, encontramos a Administração da Produção/Operações em todas as áreas de atuação dos diretores, gerentes, supervisores e/ou qualquer colaborador da empresa.

1.5 HOMEM-HORA

Homem-hora é uma unidade de medida de trabalho humano.

Símbolo: Hh

Muitíssimo utilizada em planejamento, programação, controles, propostas, cálculos de eficiência e produtividade, entre outros.

É a multiplicação do número de trabalhadores e as horas aplicadas por cada pessoa de uma equipe envolvida num trabalho.

Uma empresa possui 50 trabalhadores que atuam em média 160 horas por mês. A capacidade instalada de trabalho humano é obtida por:

Capacidade (Hh)=50 trabalhadores×160 h/meˆs=8.000 Hh/meˆs\text{Capacidade (Hh)} = 50\text{ trabalhadores} \times 160\text{ h/mês} = \mathbf{8.000\text{ Hh/mês}}

Qual a eficiência de um motor elétrico que recebe uma entrada de 1.000 kWh de energia elétrica e entrega 900 kWh de energia mecânica útil?

Eficieˆncia=Saıˊda (Output)Entrada (Input)=900 kWh1.000 kWh=0,90=90,00%\text{Eficiência} = \frac{\text{Saída (Output)}}{\text{Entrada (Input)}} = \frac{900\text{ kWh}}{1.000\text{ kWh}} = 0,90 = \mathbf{90,00\%}

Qual a eficiência econômica de uma empresa que incorreu em custos de R$ 200.000,00 para gerar uma receita operacional de R$ 250.000,00?

Eficieˆncia Econoˆmica=Saıˊda Monetaˊria (Receita)Entrada Monetaˊria (Custo)=R$ 250.000,00R$ 200.000,00=1,2500=125,00%\text{Eficiência Econômica} = \frac{\text{Saída Monetária (Receita)}}{\text{Entrada Monetária (Custo)}} = \frac{\text{R\$\ } 250.000,00}{\text{R\$\ } 200.000,00} = 1,2500 = \mathbf{125,00\%}

Determinar a produtividade da mão de obra de uma empresa que faturou R$ 12 milhões em um certo ano fiscal no qual os 200 colaboradores trabalharam em média 160 horas/mês:

  1. Volume Total de Trabalho Anual (Entradas de HhHh): Entrada=200 colaboradores×160 h/meˆs×12 meses=384.000 Hh/ano\text{Entrada} = 200\text{ colaboradores} \times 160\text{ h/mês} \times 12\text{ meses} = 384.000\text{ Hh/ano}

  2. Produtividade Monetária da Mão de Obra: Produtividade=Receita AnualTotal de Horas=R$ 12.000.000,00384.000 Hh=R$ 31,25 / Hh\text{Produtividade} = \frac{\text{Receita Anual}}{\text{Total de Horas}} = \frac{\text{R\$\ } 12.000.000,00}{384.000\text{ Hh}} = \mathbf{\text{R\$\ } 31,25\text{ / Hh}}


📝 Atividade Prática: Exercícios de Produtividade e Eficiência

Seção intitulada “📝 Atividade Prática: Exercícios de Produtividade e Eficiência”
  1. Qual a eficiência de um transformador elétrico que no processo de redução de tensão de 11.000 volts para 110 volts recebe a energia de 850 kWh e envia 830 kWh?
  2. Qual a eficiência econômica de uma empresa que incorreu em custos de R$ 150.000,00 para gerar uma receita de R$ 176.000,00?
  3. Determinar a produtividade da mão de obra de uma empresa que faturou R$ 70 milhões em um certo ano fiscal no qual os 350 colaboradores trabalharam em média 170 horas/mês.
  4. A empresa do exercício anterior produziu 1.400.000 toneladas/ano do produto que comercializa. Qual foi a produtividade física da mão de obra (em toneladas por Hh)?
  5. Determinar a produtividade da empresa do exercício anterior, sabendo-se que incorreu em custos de R$ 66 milhões, referentes a todos os insumos utilizados.
  6. Determinar a eficiência econômica de uma empresa fabricante de autopeças que no período de um mês produziu 35.000 unidades comercializadas a R$ 12,00/unid., incorrendo em gastos de R$ 357.000,00/mês na aquisição de materiais.
  7. Determinar a eficiência de uma empresa que no trimestre produziu 45.000 unidades comercializadas a R$ 20,00/unid., sabendo que os custos de aquisição de matéria-prima foram de R$ 180.000,00/mês.
  8. Sabendo que a empresa do exercício anterior utilizou 50 funcionários trabalhando 176 horas/mês para atingir o faturamento de R$ 300.000,00/mês, qual foi a produtividade horária da empresa?
Gabarito e Resoluções Passo a Passo (Exercícios 1 a 8)
  1. Transformador Elétrico (Eficiência Técnica): Eficieˆncia=Saıˊda (Output)Entrada (Input)=830 kWh850 kWh≈0,9765=97,65%\text{Eficiência} = \frac{\text{Saída (Output)}}{\text{Entrada (Input)}} = \frac{830\text{ kWh}}{850\text{ kWh}} \approx 0,9765 = \mathbf{97,65\%}

  2. Eficiência Econômica: Eficieˆncia Econoˆmica=Receita GeradaCustos Incorridos=R$ 176.000,00R$ 150.000,00≈1,1733=117,33%\text{Eficiência Econômica} = \frac{\text{Receita Gerada}}{\text{Custos Incorridos}} = \frac{\text{R\$\ } 176.000,00}{\text{R\$\ } 150.000,00} \approx 1,1733 = \mathbf{117,33\%}

  3. Produtividade da Mão de Obra (Monetária):

    • Total de Homens-Hora no ano: Entrada=350 colab.×170 h/meˆs×12 meses=714.000 Hh/ano\text{Entrada} = 350\text{ colab.} \times 170\text{ h/mês} \times 12\text{ meses} = 714.000\text{ Hh/ano}
    • Produtividade: Produtividade=R$ 70.000.000,00714.000 Hh≈R$ 98,04 / Hh\text{Produtividade} = \frac{\text{R\$\ } 70.000.000,00}{714.000\text{ Hh}} \approx \mathbf{\text{R\$\ } 98,04\text{ / Hh}}
  4. Produtividade Física da Mão de Obra: Produtividade Fıˊsica=1.400.000 toneladas714.000 Hh≈1,96 t / Hh\text{Produtividade Física} = \frac{1.400.000\text{ toneladas}}{714.000\text{ Hh}} \approx \mathbf{1,96\text{ t / Hh}}

  5. Eficiência Global dos Insumos: Eficieˆncia=Receita TotalCustos Totais=R$ 70.000.000,00R$ 66.000.000,00≈1,0606=106,06%\text{Eficiência} = \frac{\text{Receita Total}}{\text{Custos Totais}} = \frac{\text{R\$\ } 70.000.000,00}{\text{R\$\ } 66.000.000,00} \approx 1,0606 = \mathbf{106,06\%}

  6. Fabricante de Autopeças (Eficiência sobre Materiais):

    • Receita Mensal: 35.000\text{ un.} \times \text{R\\ } 12,00 = \text{R$\ } 420.000,00$
    • Eficiência Econômica: Eficieˆncia=R$ 420.000,00R$ 357.000,00≈1,1765=117,65%\text{Eficiência} = \frac{\text{R\$\ } 420.000,00}{\text{R\$\ } 357.000,00} \approx 1,1765 = \mathbf{117,65\%}
  7. Eficiência Trimestral:

    • Receita Trimestral: 45.000\text{ un.} \times \text{R\\ } 20,00 = \text{R$\ } 900.000,00$
    • Custo Trimestral de Matéria-Prima: \text{R\\ } 180.000,00 \times 3\text{ meses} = \text{R$\ } 540.000,00$
    • Eficiência: Eficieˆncia=R$ 900.000,00R$ 540.000,00≈1,6667=166,67%\text{Eficiência} = \frac{\text{R\$\ } 900.000,00}{\text{R\$\ } 540.000,00} \approx 1,6667 = \mathbf{166,67\%}
  8. Produtividade Horária da Empresa:

    • Total de Homens-Hora Mensal: 50 funcionaˊrios×176 h/meˆs=8.800 Hh/meˆs50\text{ funcionários} \times 176\text{ h/mês} = 8.800\text{ Hh/mês}
    • Produtividade: Produtividade=R$ 300.000,008.800 Hh≈R$ 34,09 / Hh\text{Produtividade} = \frac{\text{R\$\ } 300.000,00}{8.800\text{ Hh}} \approx \mathbf{\text{R\$\ } 34,09\text{ / Hh}}
  1. O Produto

2.1. Projeto do Produto

Vimos que toda empresa tem um produto ou serviço que deve atender às necessidades de seus consumidores ou clientes. Seu sucesso estará diretamente relacionado a sua capacidade de satisfazer e até mesmo suplantar as expectativas de seus clientes. Dessa forma, o projeto de seu produto, seja um bem tangível ou um serviço, adquire alta relevância no mundo atual. O projeto do produto passa a ser um elemento básico de vantagem competitiva, podendo ser diferenciado quanto a seu custo, com menor número de peças, mais padronização, modularidade etc., e a sua qualidade, robustez e inexistência de falhas (estudos demonstram que a maioria — até 80% — dos problemas de qualidade decorre do projeto do produto e não dos processos produtivos).

O desenvolvimento de novos produtos é um campo específico de trabalho, extremamente dinâmico, que conta com especialistas nos mais variados campos do saber humano. Para que você tenha uma ideia de sua dimensão, basta considerar um laboratório farmacêutico, uma agência de publicidade ou uma simples fábrica de móveis. Ao mesmo tempo, desenvolver novos produtos é um desafio constante. No mundo em transformação em que vivemos, a empresa que não se antecipar às necessidades de seus clientes, com produtos e serviços inovadores, estará condenada ao desaparecimento.

Todo produto deve ser:

  • Funcional. O produto deve ser funcional, de fácil utilização, considerar os aspectos ergonômicos envolvidos, ter estética, comandos autoexplicativos — como os comandos dos painéis dos automóveis —, ser compatível com as preocupações de preservação do meio ambiente etc.

  • Manufaturável, O produto deve apoiar-se em tecnologia conhecida e ter contado com a colaboração de equipes interfuncionais, no sentido de ser facilmente fabricado. Muito cuidado deve ser tomado com a utilização de tecnologias futurísticas ainda não comprovadas.

  • Vendável. O produto deve agradar os clientes e ser vendável. Se essa condição não for atendida, de nada adiantarão as anteriores.

2.2. O Conceito do Ciclo de Vida

O projeto do produto deve levar em consideração que todo produto tem um ciclo de vida, uns mais longos, outros mais curtos, outros ainda que já nascem com data prevista para ser retirados do mercado, isto é, com morte prevista. É o conceito de obsolescência planejada, introduzido por Alfred Sloan Jr na General Motors. O que se constata é que se torna cada vez mais curto tal ciclo de vida, forçando as empresas a uma dinâmica e flexibilidade cada vez maiores.

A Figura 3.1 mostra esquematicamente as quatro fases do ciclo de vida do produto.

Figura 3.1

Introdução. É a fase inicial da vida do produto, caracterizada por baixo volume de vendas, baixo volume de produção, pedidos sob encomenda e sob medida, produção em pequenos lotes. Muitos produtos não passam dessa fase.

Crescimento. O produto começa a firmar-se no mercado, aumenta a demanda e alteram-se os processos produtivos. A empresa procura obter maior volume de produção através da padronização de partes e componentes, automatização de processos, linhas seriadas, fabricação para estoque etc.

Maturidade. Há estabilização na demanda e nos processos industriais. Geralmente o produto já atingiu alto grau de padronização.

Declínio. Demanda decrescente. O produto passa a perder participação no mercado. A empresa deve decidir entre retirá-lo da linha de produção e esperar que ele tenha morte natural.

2.3 Estratégias para o desenvolvimento de novos Produtos

A forma como a empresa desenvolve novos produtos faz parte de sua estratégia empresarial de longo prazo e pode ser, basicamente de três formas.

  • Vender o que fabrica. A empresa desenvolve seus novos produtos com base na tecnologia que possui — é o tipo product-out. A empresa desenvolve e fabrica o novo produto e passa o problema para o pessoal de vendas, que sai à procura de compradores.

  • Fabricar o que pode vender. A empresa ouve a voz do mercado. Fabrica aquilo que o mercado quer, muitas vezes antecipando-se e até mesmo criando necessidades de consumo para seus produtos — é o tipo market-in.

  • Estratégia mista. A empresa utiliza as duas estratégias anteriores, procurando maximizar seus recursos produtivos e de desenvolvimento de novos produtos.

2.4 Processo de Desenvolvimento de Novos Produtos

O desenvolvimento de um novo produto é uma arte ou uma ciência? Podemos dizer que os dois componentes estão presentes, com maior ou menor intensidade, dependendo do produto em particular. Entretanto existe uma metodologia que divide o processo criativo em etapas, conforme mostra a Figura 3.2.

Geração da ideia. Nessa fase uma ideia inicial é lançada, seja a partir da tecnologia disponível (product-out) ou de estudos e pesquisas de mercado (market-in). São considerados os aspectos internos da empresa, suas áreas de competência, seus recursos humanos e materiais, suas tecnologias específicas. as disponibilidades de recursos financeiros etc. No que tange aos aspectos externos, são considerá-los os nichos de mercado, as tendências de desenvolvimento da tecnologia e a concorrência, utilizando-se, muitas vezes, da chamada engenharia reversa, isto é, desmonta-se um produto do concorrente e, através de análise minuciosa de

seus componentes, desenvolve-se um “novo” produto. incorporando-se novos materiais - análise de valor -, novos processos etc.

Seção intitulada “seus componentes, desenvolve-se um “novo” produto. incorporando-se novos materiais - análise de valor -, novos processos etc.”

Especificações funcionais. Determinam-se os objetivos do produto, isto é, qual será sua função, suas características básicas, como será fabricado, fontes de suprimento de matérias-primas e demais insumos, que mercados específicos deverão atender, quanto deverá custar, vantagens e desvantagens em relação a seus ‘concorrentes etc.

Seção intitulada “Especificações funcionais. Determinam-se os objetivos do produto, isto é, qual será sua função, suas características básicas, como será fabricado, fontes de suprimento de matérias-primas e demais insumos, que mercados específicos deverão atender, quanto deverá custar, vantagens e desvantagens em relação a seus ‘concorrentes etc.”

Seleção do produto. Define-se um produto que atenda os dois requisitos anteriores. Nessa fase pode-se iniciar a aplicação do desdobramento da função qualidade (QFD - quality function deployment). Falaremos sobre isso posteriormente.

Seção intitulada “Seleção do produto. Define-se um produto que atenda os dois requisitos anteriores. Nessa fase pode-se iniciar a aplicação do desdobramento da função qualidade (QFD - quality function deployment). Falaremos sobre isso posteriormente.”

Projeto preliminar. Elabora-se um projeto preliminar do produto. É o momento de utilizar os conhecimentos de todos os departamentos da empresa, como também de eventuais futuros fornecedores, numa espécie de parceria. É uma fase da engenharia simultânea.’ É feita uma análise minuciosa da manufaturabilidade do produto, incorporando-se a seu projeto as alterações decorrentes.

Seção intitulada “Projeto preliminar. Elabora-se um projeto preliminar do produto. É o momento de utilizar os conhecimentos de todos os departamentos da empresa, como também de eventuais futuros fornecedores, numa espécie de parceria. É uma fase da engenharia simultânea.’ É feita uma análise minuciosa da manufaturabilidade do produto, incorporando-se a seu projeto as alterações decorrentes.”

Construção do protótipo. Dependendo do produto, nessa fase pode-se construir um modelo reduzido para ser previamente testado. Em seguida constrói-se um protótipo para ser testado.

Seção intitulada “Construção do protótipo. Dependendo do produto, nessa fase pode-se construir um modelo reduzido para ser previamente testado. Em seguida constrói-se um protótipo para ser testado.”

Testes. O protótipo é submetido a testes nas mais variadas condições, fazendo-se análise de sua robustez, do grau de sua aceitação pelo mercado (a cidade de Curitiba é comumente utilizada para os testes), de seu impacto junto aos concorrentes etc. Muitas vezes é feito também um delineamento de experimentos para verificar a resposta do produto quando submetido a situações previamente estabelecidas.

Seção intitulada “Testes. O protótipo é submetido a testes nas mais variadas condições, fazendo-se análise de sua robustez, do grau de sua aceitação pelo mercado (a cidade de Curitiba é comumente utilizada para os testes), de seu impacto junto aos concorrentes etc. Muitas vezes é feito também um delineamento de experimentos para verificar a resposta do produto quando submetido a situações previamente estabelecidas.”

Projeto final. Detalha-se o produto, com suas folhas de processos, lista de materiais, especificações técnicas, fluxogramas de processos etc.

Seção intitulada “Projeto final. Detalha-se o produto, com suas folhas de processos, lista de materiais, especificações técnicas, fluxogramas de processos etc.”

Introdução. Coloca-se o produto no mercado, começando a primeira fase de seu ciclo de vida.

Seção intitulada “Introdução. Coloca-se o produto no mercado, começando a primeira fase de seu ciclo de vida.”

Avaliação. Periodicamente faz-se uma avaliação do desempenho do produto. então são introduzidas as alterações necessárias ou. tendo o produto já passado pela fase de maturidade e estando em declínio, é retirado do mercado.

2.5. Engenharia Simultânea

O desenvolvimento de novos produtos, uma técnica cada vez mais presente é a engenharia simultânea, também chamada engenharia concorrente (concurrent engineering), onde o termo concorrente significa aquilo que ocorre ao mesmo tempo. Um bom exemplo ocorrido entre nós é O de uma empresa que desenvolveu o projeto de um novo ônibus pesquisando entre os passageiros nos terminais de embarques e rodoviárias, entre os

motoristas, pessoal de manutenção e também junto aos proprietários de empresas de transporte de passageiros. A Figura 3.3 apresenta um esquema típico de engenharia simultânea.

2.6. Engenharia Robusta

Genichi Taguchi e Don Clausing afirmam que “a qualidade é uma virtude do projeto. A robustez do produto é mais uma função de um bom projeto do que de controles na linha de produção”. Para o consumidor, a prova da qualidade do produto é seu desempenho quando submetido a golpes, sobrecargas e quedas. Ou seja, o produto deve suportar não apenas variações no processo produtivo, mas também as mais difíceis situações de uso sem apresentar defeitos. A natureza muitas vezes se encarrega de criar tais situações adversas para um grande número de produtos. através das chuvas, sol, vento, terremotos etc. Além disso, os próprios componentes do produto podem criar situações extremamente adversas: por exemplo, o calor gerado por um motor pode destruir um circuito. vibrações em um eixo podem danificar um mancai ou rolamento etc. Assim, um produto de qualidade robusta ou projeto robusto suporta todas essas adversidades. O conjunto de técnicas - entre as quais o delineamento de experimentos

  • que permite dar ao projeto do produto tais características é denominado engenharia robusta.

2.7. Engenharia de Valor

Outra técnica muito importante no desenvolvimento do projeto de um produto é a análise de valor, concebida pelo pessoal de compras das empresas, que se deparando com novas tecnologias, novos materiais e novos processos produtivos começou a questionar, na hora de comprar matérias-primas e/ou componentes para seus produtos, seu valor no conjunto do produto. Esse questionamento dava-se quanto à possibilidade da substituição por outros materiais mais baratos e que exercessem a mesma função com a mesma (ou melhor) qualidade. Por exemplo, a substituição do processo produtivo (estampada em vez de usinada), a simplificação do produto (uma única peça substituindo duas ou mais) etc. Dada a importância do projeto. os engenheiros passaram a ser envolvidos em sua análise. A essa análise sistemática. devidamente documentada, dá-se o nome de engenharia de valor ou análise de valor.

A metodologia segue o processo científico de análise e é basicamente igual em quase todas as circunstâncias.

Selecionar o produto. Escolher um produto que esteja em condições de ser melhorado. Um bom número de empresas já dispõe de pessoal voltado exclusivamente para esse tipo de análise. Essas empresas procuram constantemente por melhorias no processo.

Seção intitulada “Selecionar o produto. Escolher um produto que esteja em condições de ser melhorado. Um bom número de empresas já dispõe de pessoal voltado exclusivamente para esse tipo de análise. Essas empresas procuram constantemente por melhorias no processo.”

Obter informações. Levantar fluxogramas de processos. desenhos, especificações, roteiros de fabricação, levantamento de custos etc.

Seção intitulada “Obter informações. Levantar fluxogramas de processos. desenhos, especificações, roteiros de fabricação, levantamento de custos etc.”

Definir funções. Definir, de forma objetiva, em poucas palavras, a função do componente no produto como um todo. Por incrível que pareça. existem vários exemplos de componentes que, após análise, demonstraram não ter função alguma e foram simplesmente eliminados.

Seção intitulada “Definir funções. Definir, de forma objetiva, em poucas palavras, a função do componente no produto como um todo. Por incrível que pareça. existem vários exemplos de componentes que, após análise, demonstraram não ter função alguma e foram simplesmente eliminados.”

Gerar alternativas. É a fase criativa. Utilizar o brainstorrning para gerar o máximo possível de alternativas.

Seção intitulada “Gerar alternativas. É a fase criativa. Utilizar o brainstorrning para gerar o máximo possível de alternativas.”

Avaliar alternativas. Efetuar análise crítica das alternativas procurando identificar as que mais benefícios podem trazer.

Seção intitulada “Avaliar alternativas. Efetuar análise crítica das alternativas procurando identificar as que mais benefícios podem trazer.”

Selecionar alternativa. Selecionar uma alternativa, devidamente justificada, e obter a aprovação da alteração junto à engenharia de produto.

Seção intitulada “Selecionar alternativa. Selecionar uma alternativa, devidamente justificada, e obter a aprovação da alteração junto à engenharia de produto.”

Implantar. Implantar a alternativa escolhida e efetuar as atualizações dos projetos. lista de material. especificações etc. através de uma ordem de alteração de produto (ECO - engineering change order).

Assim, a engenharia de valor tem por diretrizes básicas: a) reduzir o número de componentes; b) usar materiais mais baratos;

c) simplificar processos.

2.8. Projeto Modular

Uma outra forma de obter redução de custos com melhorias na qualidade, redução dos prazos de entrega e aumento da funcionalidade é através de produtos modulados. A partir de módulos projetam-se vários produtos finais diferentes, com várias aplicações.

2.9. Documentação do Produto

Uma vez definido o produto ou a alteração, este deve ser documentado. As formas mais usuais de documentação são.

Explosão. Faz-se um desenho do produto “explodido”, como visco na Figura 3.4

Diagrama de montagem. Define-se a sequência de montagem do produto, como visto na Figura 3.5.

Figura .3.5. Adaptado de Heizer & Render (Production and Operations Management).

Estrutura analítica. Define-se a composição do produto em seus níveis hierárquicos, como visto na Figura 3.6.

  • Lista de materiais (BOM - Bill Of Material). Listam-se todos os materiais que compõem o produto, como visto na Tabela 3.1.

Nome Código Nível Quantidade Fornecedores Externos Internos Peça XYZ AS 1 1 X

Suporte R 209 2 2

X

  • Cantoneira R 207 3 2

X

  • Cantoneira R 207 3 2

X Parafuso com porca PR 3 2 1

X Rolamento R 204 2 2

X Retentor R 796 2 1 X

Etiqueta E 604 2 1 X